Fico no trabalho até umas 14h30 no máximo. Vou para casa e a Alice está sempre na sua sesta. Na maioria das vezes, o António está acordado. Depois acorda ela e com sorte, ele dorme mais uma sesta antes do final de tarde.
Lides domésticas, muitas vezes compras na rua e já não há sesta para o António até ao jantar. Por volta das 19h o jantar ao mais novo, seguido de banho e direto para a cama. Entre as 19h30 e as 20h já ele dorme sossegado. Fico com a mais velha. Jantar, banho, brincadeira quando consigo senão brinca ela sozinha ou então inventámos que temos um restaurante em casa. Ela come e eu faço conversa enquanto lavo a loiça.
Vê um desenho animado ou ouve uma história e começo eu com as instruções: "Alice, nada de conversas no quarto! Alice, não vais estar a chamar a mãe pouco a pouco! Alice, nada de falar alto!"
Ou seja, parece que lhe faço uma lista das coisas que ela terá de fazer e que me deixará de cabelos em pé.
Não sei se é o cansaço do dia, se a vontade de me atirar ao sofá sossegada, se o desejo de um momento de silêncio, esta é a altura do dia em que menos paciência tenho. Faço um esforço mental por manter a calma, afinal, ela é apenas uma criança.
Subimos as escadas para o quarto onde o mano já dorme há 1h, 1h30, e já ela começa a falar, baixinho mas ainda assim a falar. Parece que se lembrou de mil e uma perguntas para fazer, dezenas de coisas para contar. Vou respondendo ou dizendo xiiiiii, várias vezes. Entramos no quarto e continua, ainda que muito baixinho, no blá, blá, blá. Eu vou-me enervando, também baixinho. Chateio-me com ela e brigo num sussurro muito baixo (acho que filmado daria uma comédia). Ela faz beicinho e tem sempre um "mas, mãe...". Digo-lhe: "Caluda!" num tom já não tão baixinho, ela responde baixinho: "Isso não se diz às pessoas!". Contraponho com: "Acabou a conversa!" enervada já mais comigo do que com ela porque sinto que todas as noites entro numa bola de onde não consigo sair, não lidando da melhor forma com a situação. Ela, sempre atenta, diz logo: "Mas, mãe, já estás a falar alto!"
No dia seguinte páro e penso que a minha vida é simples, privilegiada e calma. Tenho um horário de luxo, os meus filhos vivem em casa longe do stress diário de horários de entrada e saída, todos somos bem saudáveis, são ativos mas longe de serem irrequietos, comem normalmente, brincam sem estarem a desafiar o perigo e os seus limites...
No dia seguinte páro e penso que nunca na vida os meus filhos me amarão de forma tão incondicional como agora, nunca na vida quererão tanto de mim, nunca na vida serei tão admirada por eles como agora.
No dia seguinte páro e digo para mim: "Relaxa, aproveita a magia que a tua filha traz nos olhos. Não lhe digas que o baile vai ser só cinco minutos e depois cama. Não apresses o piquenique no chão que ela te preparou, o chá imaginário que fez e bebe descansada sem impor um timing. Relaxa e aproveita o amor que ela te dá em cada gesto e abraço, nos beijos que te oferece nem pedir nada em troca. Relaxa e não te esqueças que nunca te amará tão incondicionalmente como agora."
Hoje não vou brigar, nem sequer baixinho...
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
27 dias, 27 "instruções" para uma criança feliz #2
2. Nunca se educa só por instinto (materno ou paterno). Mas quando se educa "by the book" todas as crianças se estragam.
Eduardo Sá, Crónica Porque sim não é resposta - Manual de instruções para uma criança feliz in Revista Pais&Filhos, Agosto 2015.
Eduardo Sá, Crónica Porque sim não é resposta - Manual de instruções para uma criança feliz in Revista Pais&Filhos, Agosto 2015.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Alice e a pressa de crescer
Alice: "Mãe, quando eu tiver 11 anos ensinas-me a conduzir? E já vou poder mexer nas fichas mas com muito cuidado..."
27 dias, 27 "instruções" para uma criança feliz #1
1. Nunca estamos preparados para ser pais. As crianças dão imenso trabalho. Só crescemos com elas quando somos obrigados a crescer. E nada é fácil para os pais.
Eduardo Sá, Crónica Porque sim não é resposta - Manual de instruções para uma criança feliz in Revista Pais&Filhos, Agosto 2015.
Eduardo Sá, Crónica Porque sim não é resposta - Manual de instruções para uma criança feliz in Revista Pais&Filhos, Agosto 2015.
Sou mãe...
Nunca sonhei ser mãe... bem, lembro-me de em pequena brincar aos pais e aos filhos, lembro-me de andar com bebés carecas ao colo, vestir-lhes e despir-lhes a roupa, dar-lhes comida e coloca-los a dormir comigo na cama.
Nunca sonhei ser mãe... os bebés pareciam-me todos iguais, pareciam-me que pouco faziam ou comunicavam. Acho que nem os via. Via-os já quando tinham 3 ou 4 anos e respondiam quando lhes perguntavam alguma coisa.
Nunca sonhei ser mãe... trocar fraldas, embalar ou dar de mamar.
Nunca sonhei até ao dia que decidimos ter filhos, até ao dia que fiz o teste e já sabia que estava grávida mesmo antes dos 2 riscos, até ao dia que o senti dentro de mim, até ao dia que me sentia a mulher mais elegante do mundo com um diâmetro de barriga equiparado de mãe de trigémeos, até ao dia que dei à luz, até ao dia que amamentei. E, em nenhum desses momentos chorei. Não chorei ao saber que estava grávida, não chorei com a barriga que aumentou, não chorei ao primeiro pontapé, não chorei sequer quando ouvi o seu grito pela primeira vez. Ainda não sei se sou uma mãe chorona ou não. Não me lembro quando chorei a primeira vez pela minha filha ou por ser mãe. Lembro-me que chorei quando a vi bolsar a primeira vez. Lembro-me que chorei quando deu a sua primeira queda a sério em frente aos meus pés e abriu um golpe na testa. Chorei como se aquele pequeno golpe fosse o maior mal do mundo. Chorei no choro dela, na sua dor a minha dor duplicada, a culpa de não a ter segurado a tempo.
Nunca sonhei ser mãe... mas lembro-me como se fosse hoje de sair da maternidade depois de mais de um dia de trabalho de parto que culminou numa cesariana, sair de barriga rasgada e agrafada de onde me arrancaram à força quem tão bem lá estava a crescer, lembro-me da dor e do pensamento: "Quero voltar a ser mãe! Quero esse amor que sinto duplicado."
Nunca sonhei ser mãe... e hoje sinto que é a minha melhor qualidade, o meu maior desafio, a minha maior dificuldade, a minha maior alegria, as minhas lágrimas mais sentidas, os meus sorrisos mais sinceros, o meu maior feito, repetido mais uma vez.
Alice e António, nunca sonhei ser mãe, mas hoje sou a vossa mãe. Todos os dias aprendo a ser mãe, num sonho que nunca sonhei, no meu maior desejo de o ser por muito, muito tempo...
Nunca sonhei ser mãe... os bebés pareciam-me todos iguais, pareciam-me que pouco faziam ou comunicavam. Acho que nem os via. Via-os já quando tinham 3 ou 4 anos e respondiam quando lhes perguntavam alguma coisa.
Nunca sonhei ser mãe... trocar fraldas, embalar ou dar de mamar.
Nunca sonhei até ao dia que decidimos ter filhos, até ao dia que fiz o teste e já sabia que estava grávida mesmo antes dos 2 riscos, até ao dia que o senti dentro de mim, até ao dia que me sentia a mulher mais elegante do mundo com um diâmetro de barriga equiparado de mãe de trigémeos, até ao dia que dei à luz, até ao dia que amamentei. E, em nenhum desses momentos chorei. Não chorei ao saber que estava grávida, não chorei com a barriga que aumentou, não chorei ao primeiro pontapé, não chorei sequer quando ouvi o seu grito pela primeira vez. Ainda não sei se sou uma mãe chorona ou não. Não me lembro quando chorei a primeira vez pela minha filha ou por ser mãe. Lembro-me que chorei quando a vi bolsar a primeira vez. Lembro-me que chorei quando deu a sua primeira queda a sério em frente aos meus pés e abriu um golpe na testa. Chorei como se aquele pequeno golpe fosse o maior mal do mundo. Chorei no choro dela, na sua dor a minha dor duplicada, a culpa de não a ter segurado a tempo.
Nunca sonhei ser mãe... mas lembro-me como se fosse hoje de sair da maternidade depois de mais de um dia de trabalho de parto que culminou numa cesariana, sair de barriga rasgada e agrafada de onde me arrancaram à força quem tão bem lá estava a crescer, lembro-me da dor e do pensamento: "Quero voltar a ser mãe! Quero esse amor que sinto duplicado."
Nunca sonhei ser mãe... e hoje sinto que é a minha melhor qualidade, o meu maior desafio, a minha maior dificuldade, a minha maior alegria, as minhas lágrimas mais sentidas, os meus sorrisos mais sinceros, o meu maior feito, repetido mais uma vez.
Alice e António, nunca sonhei ser mãe, mas hoje sou a vossa mãe. Todos os dias aprendo a ser mãe, num sonho que nunca sonhei, no meu maior desejo de o ser por muito, muito tempo...
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
O melhor de uma segunda maternidade
Vê-los crescer juntos...
Alice: "Mãe, eu não quero que o mano cresça. Adoro aquela carinha pequenina e aquelas mãozinhas fofinhas!"
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Campo de férias
Só foram 4 dias. Faz beicinho para não ficar, depois recebe-me de braços abertos e pede para ficar mais um pouco. Foram apenas manhãs, foram pula-pula, jogos, escorrega, desenhos, corridas e gargalhadas.
Nos dias de maior beicinho foi até ao meu trabalho até à hora de chegar a educadora que, com a experiência consegue pegar-lhe sem que choramingue...
Ainda não sei se a coloco mais uma semana de manhãs.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Sonho ou pesadelo
Esta noite pensei que tinha dormido pouco. Levantei-me novamente umas 4 ou 5 vezes, perco a noção por completo e caminho em piloto automático. Nos intervalos sonhei... no sonho chorei... chorei com medo... estava grávida.
Acordei a fazer contas, não as contas aos dias, mas aos meses de intervalo entre o António e o bebé do meu sonho.
Acordei a fazer contas, não as contas aos dias, mas aos meses de intervalo entre o António e o bebé do meu sonho.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Todo o cuidado é pouco
António ainda não anda livre pela casa. Tem o parque para brincar, uma cadeira tipo espreguiçadeira onde fica bem "amarrado" e a cadeira da papa.
Até agora as orientações são simples. Alice sabe que só pode dar ao irmão os brinquedos que se encontram dentro de uma caixa, só aqueles e mais nenhuns. Livremente, pela sala circulam coisas minúsculas que pertencem à Alice que nunca foi bebé de levar tudo à boca.
Mais mês, menos mês temos que fazer a escolha. Arrumar bem longe tudo o que é menor que uma moeda de 2€. Esta é a medida de segurança para os bebés.
Ainda hoje me contavam que neste fim-de-semana, um bebé deu entrada no hospital por ter engolido uma moeda de 2 cêntimos. Bem... não foi engolir... a moeda ficou presa na traqueia. Como a moeda ficou na vertical só tiveram que deslocar o maxilar para retirar, caso contrário, ia à mesa de operações.
E pensamos logo nos nossos filhos... na altura da Alice não havia crianças em casa. Com o António, o cuidado tem de ser redobrado...
Até agora as orientações são simples. Alice sabe que só pode dar ao irmão os brinquedos que se encontram dentro de uma caixa, só aqueles e mais nenhuns. Livremente, pela sala circulam coisas minúsculas que pertencem à Alice que nunca foi bebé de levar tudo à boca.
Mais mês, menos mês temos que fazer a escolha. Arrumar bem longe tudo o que é menor que uma moeda de 2€. Esta é a medida de segurança para os bebés.
Ainda hoje me contavam que neste fim-de-semana, um bebé deu entrada no hospital por ter engolido uma moeda de 2 cêntimos. Bem... não foi engolir... a moeda ficou presa na traqueia. Como a moeda ficou na vertical só tiveram que deslocar o maxilar para retirar, caso contrário, ia à mesa de operações.
E pensamos logo nos nossos filhos... na altura da Alice não havia crianças em casa. Com o António, o cuidado tem de ser redobrado...
domingo, 2 de agosto de 2015
sábado, 1 de agosto de 2015
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