ALICE

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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A ti, depois do teu primeiro dia

Meu amor,

eu sei que até hoje só te demos a conhecer o conforto do lar e a nossa companhia no teu dia-a-dia, pensas que o mundo é assim, que as crianças crescem nas suas casas e que só devem ir para a escola quando são muito grandes, assim do tamanho da tua irmã. Sei que não conheces outro mundo que não esse, um mundo tão confortável, quente, familiar e seguro.
Hoje não ficaste em casa, foste para um lugar onde muitos meninos e meninas brincam, tal como brincavas em casa mas com menos confusão e barulho. Não deves ter percebido muito bem o que ali estavas a fazer e porque nos fomos todos embora e te deixámos lá. Talvez possas até ter achado que te tínhamos esquecido lá apesar do "até logo".
Ficaste duas horas e naquelas duas horas choraste muitas vezes, choraste mais do que todos os outros, chamaste pelo teu pai, por mim e quem sabe pela Alice. Se ao menos tivesse ela ficado contigo, se ao menos tivesse ficado uma única pessoa da tua família, uma cara que tivesse estado contigo todos os dias da tua vida, só uma e talvez tivesses sido a criança mais feliz daquela sala. Talvez até chorasses quando te fosse buscar mas para não ir embora. Mas não foi isto que aconteceu... e como não tiveste ninguém teu, uma pessoa da tua segurança, choraste. Não quiseste comer nem beber, não quiseste brincar nem conhecer os outros meninos e quando entrei para te ir buscar, depois daquelas duas horas que pareciam intermináveis para ti e para mim, estavas em pé, agarrado ao teu mickey junto da educadora. Quando os nossos olhos se cruzaram desataste a chorar e a chamar por mim. Correste até mim como num pedido de socorro, ficando no meu colo num abraço tão forte como nunca na vida me tinhas dado.
Foi só o primeiro dia, o primeiro de muitos dias. Eu sei que o lugar que hoje não te diz nada será uma segunda casa e que as pessoas que nada te dizem serão uma segunda família. Onde hoje vês o desconhecido, amanhã será familiar e que cada dia será uma vitória nossa, nossa porque também eu tenho medo, porque também eu não conheço o lugar, nem as pessoas. Mas como sou adulta, consigo perceber o futuro, consigo reconhecer a meta mesmo sem a ter visto, sei que tudo melhorará, sei que será mais fácil e até gostarás de lá estar.
Quem sabe um dia, pode ser apenas um dia, chorarás para não ficar em casa...
Até lá, meu amor mais pequeno, preciso (para que o meu coração sossegue também) que compreendas, mesmo que muito lentamente, que este novo mundo é seguro para ti e que todos os dias, todos sem exceção, te iremos buscar, nunca te esqueceremos. E, sempre que houver um dia, em que estejas mais abatido ou doente, a tua casa será sempre o lugar onde irás recuperar e melhorar, no conforto que te é tão familiar.

Meu amor, amanhã tenho que te levar novamente, tenho que o fazer, mesmo que a vontade não seja muita, amanhã vai correr melhor e aos poucos, vais perceber e aceitar que neste novo mundo tens tanto para aprender e crescer...

Adoro-te!

Da tua mãe


5 comentários:

Sonia Barreto disse...

Oh Cláudia sei o quanto custa, pois tive que deixar o meu filho,com seis meses,num berçário. Apesar de ele estar habituado, depois destas férias, também chorou no primeiro dia de creche. Partiu.me o coração e passei o dia todo angustiada só a pensar nele. Agora, felizmente, já vai para creche feliz e contente. Um grande beijinho.

CS disse...

Sónia, obrigada pelo apoio. É um desafio de muitos que temos que enfrentar e que sejam todos saudáveis como este.
Bj para ti e para o teu doce.

Anónimo disse...

amei

ML disse...

É mais um desafio... Acredita que me custou ler mas não posso deixar passar sem der que adore "ler-te".
Beijinho.

CS disse...

Obrigada ML, sempre tão querida! Bjs e vem sempre ;)