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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

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"És tão teimosa!"
"Nunca fazes nada do que eu digo!"
"Nunca estás quieta!"
"És uma chata!"
"Nunca te calas!"
"És um desarrumado!"
"És mal criado!"

Quantas e quantas vezes não nos salta da boca uma frase ou outra, em momento de quase agonia, etiquetando os nossos filhos de chatos, irrequietos, mal educados ou desarrumados? Se calhar, todos os dias nos sai um teimoso, ou um falador, ou um bicho carpinteiro? Se calhar, dia após dia, ouve-se alto e em bom som, teimooooosssoooo, irrreeqqqquuuuieto?
Se calhar até nem são assim tão teimosos ou mal educados... se calhar somos nós que andamos mais cansados e menos pacientes... se calhar somos nós que precisamos do sossego e esquecemo-nos do que é ser-se criança, feliz e despreocupada com horários e refeições e compromissos... se calhar somos nós que somos demasiado adultos e pouco crianças... se calhar somos nós que queremos que eles sejam uns adultos e não umas crianças...
Sim, repito vezes demais: "Nunca fazes o que a mãe e o pai dizem!" O que é mentira! Pura mentira! O nunca não é verdade! Mas talvez um dia ela acredite que nunca faz o que os pais dizem. Talvez ela acredite porque se o pai e a mãe lhe dizem várias vezes é porque deve ser verdade.
Eu não quero que ela acredite nisso porque no dia que ela acreditar e interiorizar como verdade irá agir como tal. Sim, porque acreditamos mais no que os outros nos dizem que somos, vezes sem conta, do que no que realmente somos, principalmente se formos crianças em crescimento.
Não quero abrir a boca só para apontar os defeitos! Não quero ter um discurso pela negativa! Não quero reforçar os comportamentos indesejáveis!
Vou dizer mais vezes:
"És arrumada!"
"Sabes ouvir a mãe e o pai!"
"Sabes ser bem comportada!"
"És tão meiga!"

Vou conversar com ela todas as vezes que tiver um bom comportamento e não vou dizer apenas: "Portaste-te tão bem!" Vou dizer-lhe o que fez para que eu pense isso. Vou dizer-lhe: "Viste como ficaste junto à mãe e ao pai quando te pedi para não correres? Viste como disseste bom dia à senhora quando te pedi para cumprimentares? Viste como a avó ficou feliz quando lhe agradeceste a fruta? Viste como eu fiquei feliz quando ficaste calada e te disse para esperares um pouco? Já estás uma menina tão crescida e percebes sempre o que a mãe e o pai te dizem."
Vou dizer-lhe tim tim por tim tim que comportamento espero dela. Vou dizer-lhe tim tim por tim tim o que fez, como fez e como estou orgulhosa dela.
Vou ver no sorriso e olhos dela a felicidade de ter a mãe ou o pai contentes com ela porque mais do que nós desejarmos um filho perfeito ou quase perfeito, são eles que desejam ser o melhor do nosso mundo, desejam ser o nosso melhor sonho.
Quando fizer algo a ser corrigido (que acontecerá todos os dias) não vou etiqueta-la. Não vou fazer do ato em si uma característica da sua personalidade. Vou focar-me no comportamento e não nela enquanto pessoa.




1 comentário:

MAG disse...

É tão verdade! E dá tanto que pensar este post! Adorei!