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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

10 motivos pelos quais a palmada não funciona‏

1. A palmada só tem uma coisa positiva.
Qual é ela? Funciona no imediato!
As más notícias quais são? É que funciona a curto prazo, ou seja, funciona naquela situação específica e funciona durante pouco tempo. Porquê? Porque vamos percebendo que não é por bater que o nosso filho não vai fazer aquilo que nós não queremos que ele faça. O bater pouco garante. Ele faz, nós batemos e, naquele momento ele pára. Mas continua dali a uma hora, dali a uma semana ou mês.
A má notícia é, portanto, que a palmada não evita o comportamento.


2. Os estudos
Existem muitos estudos que nos provam uma série de coisas acerca da palmada. Um diz-nos que a zona do medo é maior em crianças cujos pais batem (acerca da palmada terapêutica ou sacode o pó, podes ler mais abaixo). Outros estudos dizem que pais que não apanharam quando eram miúdos não têm como opção a palmada porque sentem que isso os desrespeita e desrespeita os filhos. É bom de notar que em lares onde não se usou esta opção, os filhos não a usam mais tarde. Finalmente, comportamento gera comportamento. Qual é que escolhes?

3. Bato em ti porque bateste no teu irmão
Não deixa de ser uma frase irónica e hipócrita. Esta frase ensina que, porque eu sou maior que tu então ‘toma lá que é para aprenderes.’ Ensina então que é a lei do mais forte sobre o mais fraco que é a melhor. Não ensina nada em relação a firmeza e a assertividade - elementos chaves para a construção de uma personalidade segura e que todos os pais desejam que os filhos tenham.

4. Bato em ti porque me pões doida
Devia ser obrigatório todos fazermos alguma formação de desenvolvimento pessoal ou lermos sobre o assunto porque - e embora isto possa parecer estranho - a verdade é que cada um de nós é que escolhe o seu comportamento. O que é que eu quero dizer com isto? Não é a criança que me põe doida. Eu é que não aprendi ainda a gerir as minhas emoções, ainda não aprendi a lidar com as minhas frustrações e, então, rebento e bato. Porque, supostamente, tu me puseste assim… Vale a pena pensar nisto, não vale? Serás tu ou serei eu?

5. Dói-me mais a mim do que a ti
Muitos de nós acreditamos que não é possível educar sem fazer a criança sofrer. E, embora não o queiramos fazer, acreditamos que há alturas em que isso é absolutamente necessário. Quais são essas alturas?

i) A criança precisa de saber que não é ela que manda.

ii) A criança precisa de saber obedecer.
iii) A criança precisa de saber que não pode ter tudo o que quer.

Será? Ou será assim:

i) A criança precisa de saber que tem um adulto que sabe o que está a fazer e que é emocionalmente madura.
ii) A criança precisa de saber que é escutada, que é importante escutar. Nós, adultos, devemos oferecer-lhe as oportunidades para que ela possa cooperar.
iii) A criança precisa de saber que os limites são construtores e servem para assegurar a sua segurança física e emocional. Nós, adultos, precisamos de nos lembrar que o mimo não estraga. O que estraga é a falta de limites.


6. Quanto mais me bates mais eu…
me revolto, afasto de ti, procuro pessoas e influências na justa oposição de quem tu és. É assim com todos, sobretudo com as crianças.Me aninho, me fecho e tenho medo - deixo de pensar por mim, deixo de sentir valor e de me sentir capaz. Torno-me um trapo, submisso, sem vontade e sem capacidade de me encontrar.

7. Desenvolvimento cerebral
Pois é, lá tinham de vir estes estudos - e repara que deixei isto quase para o fim porque qualquer um dos pontos acima são já bastante óbvios. E sim, é verdade que crianças que apanham têm a área do cérebro referente ao medo e aos alarmes maior. Valerá a pena fazer com que os nossos filhos estejam constantemente em estado de alerta, com tudo o que isso acarreta (libertação de mais cortisol, batimentos cardíacos mais elevados, estado de stress constante?).

8. Mas uma palmadinha na hora certa
Se vem mal ao mundo? Pois eu acho que essa não é a questão (mas para isso tens de ler o ponto que se segue). Então se esta palmadinha pequenina, de enxotar o pó é isso mesmo, uma palmadinha que é só para ele ver quem manda, sem intenção de magoar… para que bates? Porque não, em alternativa, agarrar na criança com firmeza (leste firmeza, não é força!) ou tocar nela para a ‘acordar’. Sim, porque na verdade parece que essas palmadas são só uma lembrança para isso mesmo. Acorda. 

9. Mas uma palmadinha na hora certa - versão 2
A questão é: como é que eu me quero ver enquanto pai? Quero ver-me como uma pessoa que soube lidar com as situações próprias do crescimento de uma criança ou como aquela cuja criança era um embaraço? Quero ser fonte de inspiração? Ou quero criar uma relação sem grande significado? Se dá mais trabalho passar a usar a Parentalidade Positiva? Claro que dá porque é uma mudança de mindset. Mas, as boas e maravilhosas notícias são que a mudança se faz, que fica e que, melhor do que tudo, o que vamos colher é extraordinário!

10. Eu até mereci a palmada que recebi!
Quem, no seu perfeito juízo, acha que merece que lhe batam? Ninguém merece ser agredido, sobretudo por aqueles que, supostamente, deveriam proteger, ensinar e direccionar os comportamentos.

O ideal é sermos corrigidos, ensinados por pais que se sabem gerir. Mas, na falta disso, aceitar ser-se agredido, não pode vir de alguém no seu perfeito juízo.

Texto integral de Magda Dias: http://mumstheboss.blogspot.pt/

Não o diria melhor, nem tenho essa capacidade de um discurso claro e indo ao cerne da questão. Contudo, darei o meu ponto de vista num outro post.
Magda Dias é coach e formadora nas áreas comportamentais e comunicacionais há mais de 12 anos. Mãe de 2 filhos.

15 comentários:

Rabiscos de Amor disse...

Parabéns Parabéns Parabéns! Que explicação fantástica :) as palavras certas (mais uma vez!). Se eu soubesse escrever assim, estes eram os meus pensamentos :)

Nádia disse...

Sou, e espero ser sempre, contra a palmada. Não ensina nada, e se ensina é os valores errados. O pai ou a mãe não dão uma palmada para educar (que por si só parece-me uma coisa um bocado maquiavélica), dão porque estão irritados.

Anónimo disse...

Sinceramente nem li para o meu comentário ser genuino.. :D
a palmada funciona na hora certa e quem tem crianças cheias de energia sabe mto bem disso..
e apesar de nos blogs ser giro dizer q todos são uns pestinhas, traquinas e cheios de energia o que é verdade é q em 100 , 90 são bem babadinhos...

Trabalho com crianças

CS disse...

Rabiscos, quem me dera escrever assim. Apesar de achar o mesmo, não o conseguiria coloca-lo desta forma.
As palavras são da Magda Dias, fiz referência a ela e ao blog dela. Deve ter passado despercebido. Vou colocar a bold, apesar de não me importar nada que essas fossem minhas ;)

CS disse...

Nádia, penso igual. Damos palmadas porque perdemos o controlo, porque queremos uma resposta rápida.
Eu não dou mas porque faço um esforço por isso. Já me apeteceu dar mas sei que me arrependeria se fizesse. Não é uma solução para mim.

CS disse...

Caro anónimo,
agora que já fez o seu comentário e que já não pode ser influenciado, leia :)
Só não percebi o termo babadinhos? o que quer dizer? Nunca ouvi a expressão.
Obrigada pela partilha

Purpurina disse...

Sou totalmente contra a palmada e, até hoje, nunca senti necessidade nem vontade de a usar na minha filha. Simplesmente não acredito que funcione e sou incapaz (apesar de ter levado algumas palmadas em pequena) de levantar a mão contra alguém que amo. Agora acho que comportamentos como gritos, insultos e falta de paciência notória, são tão nocivos como uma palmada. Às vezes dou por mim a falar mais alto com a minha filha e, pensando bem nisso depois, arrependo-me imenso.
Claro está que não somos pais perfeitos, nem devemos ser mas devemos aos nossos filhos um esforço constante para melhorar.
Escrevi, há um tempo, sobre este tema no meu blog. Não vos vou maçar com um texto grande mas deixo o link para o caso de alguém querer ler: http://www.vinilepurpurina.com/2015/08/06/palmadas-educativas/
beijinhos para todos os pais que refletem sobre os seus comportamentos para bem deles próprios e da sua relação com os filhos.

CS disse...

Purpurina, obrigada pela partilha e vou ler com atenção o seu post.
Sim, gritos são como palmadas mas com outro formato.
Ando a reeducar-me porque se alguém precise de palmadas neste momento era eu e não ela. Eu também faço birras e porto-me mal mas felizmente ninguém me bate e se alguém o fizesse seria violência doméstica, certo?
Eu sempre me considerei muito paciente, sem gritos, sem palmadas até ficar novamente grávida e a Alice ter-se posto em pontas dos pés por volta dos 2 anos e meio. Até lá doce e facilmente controlada. Depois veio o desafio... não considero que ela seja terrível, longe disso. Acho que talvez sejamos nós um pouco exigentes enquanto pais, não sei... difícil tirar medidas nessas coisas.
Também sei que há crianças e crianças. Eu pensava que era tão fácil não gritar nem perder a paciência até as coisas ficarem bem mais difíceis.
A experiência ajuda, dá tranquilidade mas tudo o que é novo desafia-nos. Educar a Alice está a ser um desafio, cuidar e educar o António tem sido tão mas tão fácil, porque já passei.
Obrigada pelos comentários que vai fazendo. É da partilha que crescemos.
bj

Anónimo disse...

Eu sou contra a pancada que dói...que marca e faz a criança chorar...agora tenho que admitir que palmada na fralda não faz mal a ninguém...

A minha adorável criança com 2 anos é uma pestinha..mas daquelas a sério. Tem mais teimosia que a mãe (coisa que eu pensava ser impossível). Posso dizer 50 vezes não mexe, vai fazer doi doi...não está certo..sai daí...posso pedir com jeitinho..posso falar num tom mais assertivo que ela faz o que bem entender. 90% das vezes tenho que tirá-la do sitio onde não devia estar..e tenho que falar mais alto porque viro as costas e ela volta para lá...aí já a tiro e leva palmada na fralda...não lhe dói...porque não dou com força alguma mas faz-lhe perceber que eu mando...eu tenho poder sobre ela. Ela não tem medo de mim..nenhum..garanto-vos....mas são as palmadas na fralda...os gritos mais altos quando toda a familia já disse para ela parar que a faz perceber que não está certo.

As crianças precisam de alguém assertivo na hora certa...e volto a repetir..era incapaz de magoar a minha filha, mas ela não faz parte dos 90% que na realdade são crianças calmas com alguma birras...

A palmada funciona, o grito funciona...da mesma forma que amor beijos e carinhos funcionam quando ela faz algo muito bom e vou logo reconhecer! Eles precisam distinguir o certo do errado...e nem sempre com palavras mansas chegamos lá.

Cada um com o seu ponto do vista :)

Beijos

Anónimo disse...

Parece que os movimentos radicais estão mais perto do que nós imaginamos...

Parece que hoje em dia ninguém consegue ter pensamentos equilibrados. Ou são 8 ou são 80. Já repararam?

Realmente têm razão, os adultos fazem cá cada BIRRA! IRRAAAAAA...

Anónimo disse...

Querida,

voçê ficou traumatizada por ter levado um tampa quando era pequenina? Esse acontecimento tem alterado sua vida hoje?
Nós não podemos pensar como se fossemos crianças, mantendo o raciocínio dos adultos. Valeu?

Anónimo disse...

"Babadinhos" são crianças calmas, com personalidades doces ou não, que sao caladas e pouco dadas a brincadeiras "brutas"...são os mais comuns queiram as pessoas acreditar ou não.
E quando me referi a dar uma palmada obviamente n foi espancar um filho..
como foi dito acima, a palmada não magoa nem traumatiz,mas corrige..
e as teorias da educação e q n dão gritos nem palmadas é só mesmo dos pais q têm filhos babados e dos mais babados q há e tb há os outros q nem olham para os filhos nem mesmo para os corrigir..o facebook e os blogs tiram-lhes demasiado tempo..e depois há os q mentem descaradamente aqui que são muitos,mesmo muitos..
e aproveito para vos desejar um bom Domingo e tb para acrescentar q cada um educa como acredita e se fosse verdade td o q se diz nesta net..viviamos num mundo maravilhoso lol

Rabiscos de Amor disse...

Oh peço desculpa... é o que faz ter um olho no tablet e outro no filho :)

CS disse...

Obrigada pela explicação dos babadinhos, nunca tinha ouvido falar... obrigada pelos votos de bom domingo :)

CS disse...

Para responder a um anónimo que me trata tão bem por querida:
Não me lembro de ter levado em criança (nem em casa nem na escola) porque era muito bem comportada. Ninguém tinha uma justificação para me bater. Daí que não seja trauma infantil mas se tivesse levado também não existiria trauma porque os meus irmãos levaram e são perfeitamente equilibrados e felizes.
Não acredito que as palmadas traumatizem as crianças (pelo menos aquelas que daqui falamos e que não se trata de maus tratos infantis) mas continuo a dizer que, para mim (só), não é uma resposta positiva e que ensina que posso recorrer da minha força sempre que estiver perante alguém inferior (física ou psicologicamente), mesmo que sob o mote de educar.