ALICE

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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Será a exigência uma mais-valia nas crianças?

No parque em conversa com uma amiga do tempo da universidade que tem um filho da mesma idade da minha filha.
Falávamos das escolas dos nossos filhos, do que corria bem ou menos bem. A minha numa escola pública, o dela numa escola privada, na suposta melhor escola da ilha segundo os rakings das avaliações das crianças, pesquisa feita pelo pai.
Eu explicava que até à data não tinha razões de queixa da escola. Sentia que a Alice brincava muito, sem exigências de maior, trabalhos de casa ou outras coisas que não pretendo para a minha filha nesta altura da vida dela.
Ela contava-me que a educadora do filho dela já mandava alguns trabalhos, que um deles foi construir uma história com base em imagens dadas pela educadora. O filho lá foi contando a história e a mãe tinha que a escrever. Depois teria de apresentar na sala aos amigos.
Depois da apresentação perguntou ao filho como tinha corrido:
"A educadora disse que tinha poucas páginas!" a resposta do filho (ao trabalho de 8 páginas)
Ela, em jeito de conversa, perguntou no dia seguinte à educadora como tinha corrido, que o filho disse que eram poucas páginas.
Resposta da educadora:
"Eu não disse que eram poucas páginas, disse que tinha pouco conteúdo..."
Bem, a mãe riu-se (acho que também me ria) e disse-lhe que trabalhos destes pedia ela aos seus alunos do 5º ano.

Estamos a falar de miúdos com 5 anos, estamos a falar de educadoras que deviam estar mais preocupadas com as competências sociais e emocionais das crianças do que com os "conteúdos", estamos a falar de pais que querem o melhor para os seus filhos mas nem sempre esse melhor é a escola com o melhor ranking (coisa fácil de atingir quando, à partida, têm apenas crianças com um bom nível económico, social e de escolaridade dos pais).

Eu preocupo-me com as bases que a Alice terá na construção da sua escolaridade, preocupa-me quando chegar o primeiro ano, se a professora será boa, se a turma será interessada, empenhada e relativamente disciplinada, permitindo que possa aprender solidamente o que será o mais importante em todo o seu percurso académico.
Agora, está na pré, na altura de brincar, de se relacionar, de criar empatia com o outro, de fazer jogos e correr, de conhecer crianças de mundos e percursos diferentes do seu e ainda assim conseguir ligar-se a elas.

Quando falavam de profissões na escola, ela um dia disse-me:
"Sabes, mãe, na minha sala, muitos meninos têm pais desempregados, sem trabalho nenhum."
Esta realidade diversificada é a nossa sociedade. As escolas privadas tendem a passar um mundo mais cor-de-rosa. Os pais trabalham, têm bons carros, boas casas e boas vidas. Nada contra este mundo, longe de mim. Desejo eu que todos fossem assim ou andassem lá perto. São as festas de aniversário com a turma toda, replicada 20 ou mais vezes no ano (consoante o número de meninos da turma), em sítios alugados, com pula-pulas e ofertas para todos. Nada contra, apenas contra de não ser possível para todos os miúdos, nem que fosse uma vez na vida.
Pena que a vida não seja bem assim... pelo menos para todos. Pena que a vida da maioria não passar de festas com um bolo em cima da mesa da cozinha e uma ou duas ofertas para desembrulhar. Os amigos da escola ficam na escola e em casa há pais e irmãos.

Eu quero o melhor para a minha filha (como qualquer pai) mas quero que ela viva com os pés assentes no chão, que aprenda a valorizar um bom amigo (independentemente de os pais estarem a trabalhar ou desempregados), que se ligue ao outro, que saiba que nada é garantido, que aprenda a valorizar mais os sentimentos que os bens materiais, que na vida existirão sempre aqueles que têm muito, muito mais do que ela alguma vez alcançará em termos de bens materiais e outros que nunca chegarão perto do que ela tem, que aprenda que nada se leva deste mundo a não ser as recordações da pessoas que conhecemos e daquilo que aprendemos com elas.

P.S. Eu juro que este post ia ficar apenas na conversa do parque, mas... às vezes não me calo.

9 comentários:

Maggie F. disse...

Bem, eu mãe de crianças mais velhas e a estudar num colégio privado venho aqui pôr o bedelho. Agora mais a sério: eu percebo-a e tudo o que os pais querem dar aos seus filhos é sempre o melhor, a questão dificil está no que é afinal o melhor? eu acredito que se lhes podemos patrocinar isto ou aquilo devemos patrocinar, isto não quer dizer que eles vivam num mundo cor de rosa. Cabe-nos a nós pais faze-los ver a sorte que têm, faze-los perceber que nada na vida é definitivo e que os recursos não são ilimitados. As minhas andam num colégio privado mas brincam na rua com vizinhos que andam na escola publica e frequentam a catequese onde também não faltam meninos da escola publica. São mais velhas do que a sua mas desde muito cedo expliquei-lhes que trabalhámos muito para chegar aqui. Expliquei-lhes e já as levei a visitar a nossa primeira casa de há quase 20 anos, a casa seguinte, ainda se lembram da ultima de onde mudámos há um ano. Em suma, cabe aos pais educar os filhos socialmente, faze-los ver que nem todos vivem como eles e isto nada tem a ver com a escola ser publica ou privada. também na escola publica terá que fazer ver muitas coisas á sua pequenita, ensina-los a respeitar os outros, as diferenças, ensina-los a ser humildes e discretos, a fazerem amigos porque gostam deste ou daquele e não porque este ou aquele têm isto ou aquilo ... este é o verdadeiro desafio da maternidade. Um desafio que chega mais para a frente, vai ver.
Beijinho

Anónimo disse...

E ainda bem que não te calas!

Sempre disse que adorava o teu blogue porque és uma pessoa real, terra a terra, e igual a todas nós. Não sei se nos podemos catalogar de classe média, ou se esse termo já se encontra em desuso. Sou trabalhadora, tenho curso superior, o meu marido também trabalha...mas a vida nem sempre é fácil, em termos monetários.

O meu filho anda numa creche privada porque tanto na minha área de residência, como na área do meu trabalho não existem creches do estado e a única creche/jardim de infância IPSS está a abarrotar e também, para meu espanto, precisa-se de uma cunhazita para conseguir entrar num local que está a abarrotar pelas costuras.

Fiz toda a minha escolaridade no público. Bem ou mal, sempre tive boas notas e sempre passei de ano. Nunca necessitei de explicadores. Mas os meus irmãos já precisaram. Porquê? Porque os professores que ficavam de baixa não eram imediatamente substituídos, e os alunos ficavam N tempo sem aulas naquela disciplina. Perdiam completamente o rumo da disciplina.

Uma das dores de cabeça que estamos a ter, apesar de parecer ser cedo, por aqui não é nada cedo, é não saber onde colocar o Tiago na pré primária, primária e por aí a diante. A escola onde eu andei, já não é a escola onde eu andei. Sinceramente, não quero mesmo que o meu filho vá para lá. Todos os dias o carro da polícia está à porta. Arrufos de adolescentes? Sim, mas com armas brancas à mistura?? Não obrigada!!

Por outro lado, colocá-lo no privado, para além de ser uma tarefa muuuuiiito difícil porque não temos cunhas, conhecidos ou familiares no colégio A, B ou C (colégios privados por aqui é coisa que não falta) o fator monetário está a pesar bastante. Seria uma ginástica muito grande que tinhamos que fazer.

Tenho pena que as escolas públicas, e outros setores públicos, como a saúde, estejam a ficar num estado deplorável.

Os ricos não precisam de nenhum setor público, os pobres não têm outro remédio e nós (classe média ou não) temos dinheiro suficiente para não termos ajudas nenhumas mas, depois, não temos dinheiro para colégios ou clínicas.

Um beijinho para ti e para os teus borrachos!

Sónia Barreto







Maggie F. disse...

Sónia da minha experiencia o que me parece é que no nosso tempo de escola as coisa também não eram bem como as percepcionámos e guardámos. Quando somos miúdos tudo nos parece maior e idealizamos e recordamos as coisas de uma forma mais romântica. De certeza que os nossos pais também tiveram as suas duvidas, o que me parece é que não se perdia tanto tempo com estas preocupações, ás vezes parece-me que exageramos com tanta maternidade e questões de maternidade. O que me parece e quanto mais avanço no idade das minhas filhas é que menos certezas tenho. as certezas que tinha quando elas tinham 4 ou 5 anos hoje passaram a duvidas e por mais que tentemos perceber se fizemos as escolhas certas ou erradas só vamos saber quando eles chegarem a adultos. Agora é só estarmos por perto e atentos, tentar guia-los nas escolhas que fazem todos os dias, ajuda-los nas suas tarefas e pedir sorte. A escola publica onde pertencemos por morada é péssima e também por isso as minhas estão num colégio onde também andam todo o tipo de crianças. Atenção que nas escolas privadas também há todo o tipo de pais e de filhos. A minha mais velha tem uma colega que ainda ontem em reunião com a directora de turma tive que falar... Vão ficar atentos. Isto é a diferença maior nas escolas. A atenção dos auxiliares e professores e o interesse no aproveitamento dos alunos. Se precisam de ajuda em alguma disciplina há aulas de apoio ao estudo nessa disciplina, mas o aproveitamento que fazem das aulas e o percurso que fazem é muito discutível. Por exemplo, o filho de uma amiga que anda no publico mais uns amigos de 10/11 anos saltaram o gradeamento da escola para ir buscar uma bola de futebol que lhes escapou e começaram a andar, a andar e foram dar a umas vias rápidas onde se sentaram no meio de uma rotunda a apreciar a paisagem. Ninguém viu, por acaso não foram atropelados, mas foi só por acaso. Para mim a escola publica peca mais por isto do que pelo ensino propriamente. Isto e terem sempre os portões abertos, nos casos das creches acho mesmo um perigo.
Quanto aos trabalhos nos 5 anos, enfim ridículo mas há pais que apreciam, atenção!
Pronto vou embora sem chatear mais.
Beijinho

CS disse...

Antes de comentar as vossas opiniões pois preciso de mais uns minutos de atenção, vou só dizer que gostei muito de vos ler :)
Obrigada pela vossa partilha. Gosto muito quando isso acontece neste espaço.
E Maggie, não chateias nada ;)

Sonia Barreto disse...

A Maggie tem toda a razão naquilo que escreveu. Concordo plenamente.

A escola pública peca pela falra de auxiliares e pela falta de colocação/ substituição de professores, mas isso são políticas e guerras sindicais. No meio disto, são as crianças e os jovens que ficam prejudicados. A falta de segurança também é um fator. No nosso tempo, não ter aulas era sinónimo de ir para o café. Hoje em dia acho que deve ser o mesmo, pela quantidade de adolescentes que vejo à porta do café a horas que sei que são horas de aulas.

No privado não há não haver uma aula mas, se houver, não saiem do recinto escolar. E penso que isso é um descanso para os pais que trabalham.

Não sendo rica, não tendo pais ricos que me possam deixar uma herança ( eheheh) penso que a maior herança que posso deixar ao meu filho são os bons princípios e uma boa base educacional.

Cláudia, desculpa esta invasão de espaço. Mas a culpa foi tua. ;))))

Bjinhos

CS disse...

Sónia estou a adorar! ;)
Maggie, alguma coisa a acrescentar?

Carla Marques disse...

Olá, cá venho eu meter "o bedelho" também. :)
Este tema toca-me especialmente como mãe e também como ex-aluna.

Tenho duas meninas (1 e 3 anos) que, neste momento andam numa creche privada.
O que eu gostaria era de as colocar, mais tarde, numa escola pública. Mas as escolas publicas que conheço (onde andei) eram muito más. Acredito que hoje em dia não sejam melhores (haverá exceções com certeza).

Por isso, a minha vontade alterou para querer continuar no privado, tal como acontece (na maior parte das vezes) em relação à saúde.

O problema é o dinheiro. Nós (classe média) estamos bem arranjados porque (como diz a Sónia) não recebemos ajudas, pagamos tudo e mais alguma coisa, e depois não temos direito a um serviço em conformidade com o que pagamos. Creio que algumas pessoas chegam a viver pior do que pessoas que vivem de subsídios sociais porquê tem que pagar despesas, impostos e no fim do mês não sobra nada.

O meu caso é caricato (pelo menos para algumas pessoas). As minhas filhas usam muita roupa emprestada, não lhes compro brinquedos caros (salvo uma ou duas exeções), têm apenas um par de sapatos por estação, a segunda usa as roupas que eram da primeira, eu raramente compro coisas para mim, a minha casa é do mais minimalista que pode haver.

Mas saúde e educação é sempre no privado e grande parte do nosso poder de compra vai para aí, para coisas que não se vêm. Não critico de maneira nenhuma outras opções de educação e de vida (longe de mim) mas não me consigo sentir confiante de outra forma. Enquanto puder vai ser assim.

E aproveito para as educar para a diferença. Os outros meninos têm o que podem ter e o que os pais decidem. Nada contra mas as minhas filhas terão de aprender a viver com a diferença. Quando chegar a época dos aniversários, logo se vê. Viveremos sempre de acordo com as nossas convicções e de maneira nenhuma de acordo com pressões sociais.

Se não pudermos (ou quisermos) fazer festa para a turma toda ou se não pudermos participar em algumas atividades que envolvam gastos, não o faremos e não nos sentiremos mal por isso.

Prefiro (totalmente) a diversidade que se encontra nas escolas públicas mas prefiro ainda mais a segurança e a melhor qualidade de ensino que acredito existir na privada.

Mas, também acredito que, se existir um bom acompanhamento em casa por parte dos pais, um bom aluno, será sempre um bom aluno.




A Pimenta* disse...

Ora bem, este é um tema polémico. E sinceramente há escolas/prés públicas más como também existem prés privadas que pecam por falta de segurança, por exemplo e eu conheço bem um externato privado onde isso acontece. No outro dia fui lá buscar uma aluna que frequenta o centro de estudo onde trabalho e não a encontrando no recreio, dirigo-me à sala onde ela tem aulas. Perguntou à professora se sabia onde estava a Maria, ao que a professora me diz "já saiu". Procurei por todo o lado, as funcionárias deste colégio ignoraram os meus pedidos de ajuda e quando encontro uma colega de turma, diz-me ela que afinal a Maria não tinha vindo à escola. Ora bem... eu tinha falado com a professora num primeiro momento que ao que parece não se apercebeu que a Maria naquele dia não tinha ido à escola. Isto foi num privado. Como é óbvio, também há situações semelhantes em escolas públicas. Nenhuma escola poderá fazer o nosso papel principal, nem nenhuma escola pode exigir que os nossos filhos, aos 5 anos, façam histórias com introdução, desenvolvimento e conclusão. Porque isso são trabalhos de casa para os pais e não para os filhos.
Parece-me é que hoje em dia os miúdos têm de ser logo génios antes de entrarem na primária. Tudo isto dava seminários de longas horas e discussões intermináveis.

Kaipiroska disse...

Tema polémico este.
Respondendo ao título do post, a minha resposta é Sim, com algum equilíbrio e dentro de limites que eu considero razoáveis.
O Diogo fez esse mesmo trabalho da história. Aliás, fizemos nós pais quase todo o trabalho. Uma coisa é certa: nós, mãe e pai, somos ambos contra todo o tipo de TPC, seja em que idade for, seja no público ou privado.
Eu andei no privado. O meu marido andou no público. Quando chegou a altura de escolher onde colocar o nosso filho, consultamos amigos e familiares, visitamos alguns colégios, e acabamos por decidir colocar o Diogo nesse mesmo colégio privado que referes no post. Se há meses que custa mais, sim há, mas, acima de tudo, se podemos, ainda que mensalmente com alguns sacrifícios (nada de jantares fora nem roupas novas), preferimos optar por uma educação que sei que tem qualidade, ainda que obviamente não concorde com tudo, mas isso acontece com tudo nesta vida. A nível de segurança, também aqui referido, é um colégio muito seguro. O Diogo adora o seu colégio, a sua educadora, todas as auxiliares, e tem muitos amigos, amigas e namoradas. Brinca muito, seja no colégio, seja em casa. Faz muitas atividades com a sua turma, tem visitas de estudo e passeios. É um menino feliz e isso para nós é o mais importante! Até hoje estamos muitíssimo satisfeitos com o colégio, seja nas aulas, educadoras, auxiliares, festas, espetáculos, passeios e atividades.
Neste momento, já com as aulas terminadas, o Diogo e quase todos os seus amiguinhos estão inscritos nas atividades do colégio: desporto, música, culinária, passeios, visitas e idas à piscina. O ano passado ele também foi e adorou e correu super bem!
É um menino de 4 anos (prestes a fazer 5) que é feliz e brinca muito!