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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

64 dias depois

António entra no colégio e, apesar dos pequenos amuos entre dentes, deixei-o na sala sem que ele vertesse uma única lágrima e sem que me chamasse mil vezes até eu desaparecer no corredor e deixar de ouvir o seu choro e chamamento.
64 dias depois, foi o tempo dele, nem mais um dia, nem menos um dia. O tempo necessário para se sentir minimamente seguro, amparado e ouvido.
Eu não queria esses 64 dias, eu queria 3 ou 4 dias para o meu próprio choro silencioso, para... a minha própria segurança e depois já nós, sorridentes e felizes nos despedíamos com um forte abraço à porta da sala.
O problema é que o tempo dos filhos não é igual ao tempo dos pais. O tempo, em que todos nos dizem que 60 segundos faz um minuto, 60 minutos uma hora, 24 horas um dia e por aí em diante não é bem verdade... não, não é, e eu apenas refiro duas de mil situações: uma criança à frente de um prato de sopa ou uma criança no desfralde e nós sentados com eles na sanita à espera do xixi.
64 dias depois, o tempo dele e não o meu, o tempo que o seu pequeno cérebro pediu-lhe para ter a certeza que ele não estava a ser abandonado e que, todos os dias, ao final do dia, lá estaria a mãe ou o pai para o ir buscar.
Aceitar o tempo que eles precisam, para falar, para andar, para brincar com os outros, para deixar a fralda, a chucha ou as birras é um desafio para qualquer pai. Este é um tempo só deles que não é igual sequer ao tempo dos irmãos ou das outras crianças, mesmo que nascidas no mesmo dia que eles.
E não importa que o filho da tua amiga tenha deixado a fralda aos 4 4 meses, a chucha aos 5 meses, tenha começado a falar aos 6 meses, que aos 9 meses já fale fluentemente 2 línguas, que corra aos 11 meses, que nunca tenha feito uma birra em público e que tenha começado a dormir toda a noite na primeira semana que saiu do hospital...
Não importa mesmo nada porque os nossos filhos têm verdadeiras conquistas todos os dias, num tempo que é só deles, no momento certo, a altura perfeita para eles (e os pais que esperem o tempo que for preciso e não desesperem porque esse tempo chega quando menos se espera).


Meu querido António, orgulhosa de ti, houve alturas difíceis mas tentei focar-me neste dia de hoje, nesta segunda-feira de chuva e mesmo não desejando que fossem precisos 64 dias, feliz por terem sido apenas 64 dias.

Adoro-te

Da tua mãe (im)paciente

3 comentários:

Carla Marques disse...

Que bom! :)

Sonia Barreto disse...

Escreves mesmo tudo que eu acho! Infelizmente, ao início da vida do meu filho, ouvi demais os outros e segui muito o que me diziam, incluindo enfermeiras, até que disse "Basta". Hoje oiço, principalmente, o meu filho...mesmo sem proferir palavras...conheço.o melhor que ninguém e respeito.o e ao sei ritmo. Infelizmente, há vezes que sou criticada por isso...mas é para o lado que eu durmo melhor.

CS disse...

Olá Sónia, seremos sempre criticadas, até por nós mesmas. É um processo que não é linear nem repleto de sucessos. Vamos fazendo o melhor e pelo melhor.
Bj
Gosto sempre de saber de vós :)