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quarta-feira, 17 de julho de 2013

A minha ambição

Confesso-me: eu sou daquelas pessoas que se transformaram com a maternidade.

Não vou dizer que sou uma pessoa oposta ao que era, que deixei de acreditar e reger-me pelos princípios que tinha mas posso dizer que mudei ou então que chegou à superfície muitas das coisas que já existiam em mim mas estavam camufladas por outros interesses.
Eu nunca tive o sonho de ser mãe. Sempre achei que pertencia ao mundo, que iria correr mundo, liberta de raízes que me prendessem definitivamente a um lar. Nunca senti que precisava de um companheiro para ser feliz, nunca ambicionei casar e criar família. Contudo, tive paixões, fiz planos, desapaxonei-me e desfiz planos. Não corri mundo mas corri alguns lugares. Trabalhei na Alemanha e em Itália. Gostava de sentir que nada me prendia a lugar algum. Gostava de sentir que a minha mãe encorajava-me a voar mesmo que fosse para longe dela. Dizia-me na altura o que ainda hoje me diz tantas vezes: "Se te sentires feliz eu sou feliz!"
Depois chegou uma vida a dois com a mesma morada e código postal, já eu tinha bem mais de 30 anos. Depois as conversas de aumentarmos ou não a família. A decisão, a ação e o nascimento. Chegou um novo ser e com ele um eu renovado.
As minhas ambições mudaram. Já não sinto que pertenço ao mundo. Criaram-se laços que não imagino quebrarem-se. A minha ambição já não é tanto a carreira, o dinheiro, o mundo. A minha ambição é o tempo. Trabalho para o tempo e pelo tempo. Um tempo que estimo e agradeço. Um tempo pensado e gozado com as pessoas do meu coração. Tempo passado a dois, passado a três, passado com irmãos e pais, passado com amigos que se tornaram família.
Posso dizê-lo que eu tenho tempo. Eu ganhei mais tempo. Eu ganho todos os dias muito tempo.
Tempo para brincar com a minha filha todos os dias e todos os dias passearmos. Tempo para estar com B. Tempo para aceitar convites de amigas e de fazer muitos jantares desde que em minha casa (raro, muito raro recusar um convite. Aqui não se incluem noitadas).
A minha ambição é continuar a ter tempo, muito tempo para esta vida que construo dia a dia.
Falta o tempo para ver saldos, mas tempo já não há orçamento para as compras. Falta o tempo para os colares, brincos e anéis, mas também não quero ser estrangulada por uma bebé de 18 meses. Falta o tempo para banhos de banheira e xixis sem plateia mas também tem que se poupar em água e eletricidade (tenho cilindro). Falta o tempo para acompanhar todas as séries mas muita televisão faz mal à vista. Falta o tempo para acompanhar as tendências de moda mas para quê se elas são ciclícas e as roupas das barricas da América estão a fazer sucesso novamente.


P.S. Sim, todo o tempo do mundo continua a ser pouco. Quero mais, trabalho por mais e há coisas que ficam adiadas no tempo. Às vezes o tempo está lá, falta é a energia...

6 comentários:

Mãe de gémeos disse...

Eu já tive muito tempo, quem me dera eu que o meu tempo fosse a dobrar já que lá em casa temos tudo a dobrar!!!!

Anónimo disse...

Eu não sinto que mudei com a maternidade, claro que amo a minha filha e os momentos que passo com ela, mas confesso que sinto falta disso tudo: ver tv, saldos, não fazer nada. Tu não? Diz-me q sim para me sentir mais normalzinha:)

Ana

Sónia Barreto disse...

Até à parte da maternidade sou eu que estou a escrever, literalmente!!

A parte pós maternidade espero que chegue rápido para ver se sou parecida!;)

CS disse...

Sónia, depois contar-me-ás ;)
Aproveita bem o antes que o pós não tarda.
bj

CS disse...

Ana claro que sinto falta, claro que às vezes apetecia-me passar uma tarde inteirinha nas compras sem correr atrás de uma macaquinha, seguida de um serão no sofá a ver séries.
Mas a vontade vem e vai e depois ganhei a capacidade de valorizar os 10 minutos em que entro numa loja quando antes tinha 1 hora. Depois se tomar café consigo fazer serão a ver tv, senão pelas 22h/23h já ando noutra dimensão.

Dina disse...

Adorei este texto. Sinto muito das tuas palavras