ALICE

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Dia D - Última parte

Com a epidural às 7h da tarde, nada seria como antes. As contracções de 5 em 5 minutos que aconteciam desde as 8h da manhã continuaram mas nem dava por isso.
Aproveitei para colocar a conversa em dia com a minha mãe. Se antes ela falava e eu tinha que fazer as respirações pouco a pouco sem poder responder, agora mantínhamos uma conversa fluída sem interrupções. Bem, na verdade, com muitas interrupções, os benditos toques. Ora vinha o médico, ora a enfermeira, ora outra enfermeira. Toca um, toca o outro e de todas as vezes perguntava o médico à enfermeira: "Já fez o toque?" E ela: "Agora não. Fiz há bocado." E ele: "Venha ver. Quero a sua opinião!" Ora mais toque e vira, roda, mais outro toque e até julgo ter visto a empregada de limpeza e o segurança do hospital em fila de espera para o toque.
Se me doeram? Nada! Nem sem epidural, nem com epidural.
A dilatação avançava mais rápido. A rotura das águas foi feita pela enfermeira e uma enorme pinça. Tudo caminhava para um parto normal, mais hora menos hora.
Cheguei aos 9 cm de dilatação e eu estava feliz, relaxada e a ver um fim (novo princípio) próximo.
À meia-noite voltou o médico. Ele era de poucas palavras e sempre sério mas parecia competente. É um médico de Lisboa que faz alguns fins-de-semanas no nosso hospital para aliviar o excesso de nascimentos que acontecem nesta bela ilha. Não o conhecia mas o meu médico falou muito bem dele.
Novo toque e o médico diz-me: "Vamos ter que tirar essa menina."
E eu: "Oh que bom!" Pensando eu que tinha chegado à altura de começar a fazer força.
Ele: "Será cesariana!"
As lágrimas cobriram-me o rosto em 2 segundos. Queria saber porquê.
Nesta altura a minha mãe já tinha ido para casa pois B. tinha saído do trabalho e entrou no quarto na altura que o médico dava-me a notícia.
Segundo ele a Alice estava encravada no canal. Não conseguia descer. Achava ele que ela estava a tentar subir novamente e que tinha começado a entrar em sofrimento.
Na mesma hora levaram-me para o bloco de partos e eu comecei a tremer o queixo sem conseguir controlar.
Toda a equipa foi fantástica, tentando conversar comigo para me distrair.
Continuaram com a epidural e aí começou algo que não me traz muito boas recordações apesar de ter sido uma experiência positiva.
Não tive dores mas sente-se os cortes, o aspirador, a força que o médico fez em cima da minha barriga para a fazer descer. Nessa altura não me controlei e gritei. Pareciam que as minhas costelas se iam partir. Umas 5 ou 6 pressões sobre a barriga e sinto "arrancarem" (a parte mais "violenta" para mim) a Nisca de mim.
Passado uns segundos ouço o seu grito estridente que nunca mais parou até irmos as duas para a maternidade. Foi mais de uma hora a exercitar aqueles pulmões. Ouvi-la foi uma sensação de alívio... pensei logo: "Está tudo bem..."
O restante tempo foi a aspirar e a cozer e já só pensava em poder ter a minha princesa nos meus braços.
Levaram-a a conhecer o pai (sendo cesariana não o deixaram entrar) e depois colocaram-a junto a mim.
Ela continuava a chorar. Só quando descemos à maternidade, adormeceu junto ao meu coração dormindo até de manhã.
A minha linda menina tinha nascido e nada seria como dantes...

5 comentários:

Mãe de gémeos disse...

Ser mãe é a melhor coisa do mundo, o sentir o primeiro grito deve ser uma experiência inesquecível mas, mesmo que me pagassem nunca faria uma cesariana com epidural. Quando nasceram os gémeos (de cesariana) nem me deram a escolher (foi com anestesia geral), mas pelo que descreves, julgo que me daria uma coisinha má!

Muitas felicidades!!!!

P.S - Gosto muito deste teu cantinho, passo por cá todos os dia para beber um chá!!!!!! Verde!!!!

Flutuações da mente disse...

E pronto... não há maneira de controlar as águas dos meus olhos. Que gaja. ehehehe
Lindo!

Happy Kids Sapataria disse...

Bom, até me vieram as lágrimas aos olhos, ufa. Fez-me recordar o nascimento da minha Sofia, já lá vão 5 anos.Parabéns mais uma vez CS, agora é só "curtir" a princesa Alice. Beijinhos.

Crisani disse...

Ufa... até me emocionei...fizes-te com que eu recorda-se os meus 3 partos. Todos eles com histórias diferentes.
São momentos que nunca esquecemos.

CS disse...

Ainda bem que só recordamos as melhores partes ;)
Crisani, 3?! Corajosa :O)