ALICE

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O co-sleeping

Antes de ser mãe tinha a convicção que não queria os meus filhos a dormirem todas as noites na nossa cama. Tinha a convicção que isso não ajudava em nada o crescimento deles ou a relação entre o casal.
Antes de ser mãe tinha a certeza que filho meu dormiria no seu quarto, na sua cama, depois do período inicial de adaptação ao novo mundo.
Depois de ser mãe as minhas convicções deixaram de ser convicções e passaram a ser metas a atingir com algumas incertezas pelo meio.
A Alice nasceu e foi amamentada até aos 9 meses. Foi uma bebé que acordava mil vezes, pronto, eram umas 5 vezes por noite (que pareciam mil) para mamar. Assim foi durante os 9 meses e não apenas nos primeiros meses. Enquanto isso aconteceu parecia-me inconcebível que ela estivesse noutro quarto. Já me custava esticar os braços e colocá-la à mama 4 a 5 vezes por noite, quanto mais se tivesse ainda de fazer maratona entre quartos toda a noite. É que não havia hipótese de alternar entre pai e mãe. Não havia hipótese de dizer: "Esta noite ela é tua, não me acordes nem chames os bombeiros se achares que não me mexo. Vou apenas fingir que morri por uma noite!"
Aos 9 meses (mais dia menos dia), depois de muito ponderar e duvidar disse: "Alice, enough is enough!"
Nas calmas, devagarinho (e com alguma dificuldade) tira mama e enfia biberão. Ela não ficou muito contente e rejeitava o leite artificial, depois rejeitou o biberão mesmo que tivesse lá o meu leite. Foram uns dias difíceis com o pai a dar-lhe leite artificial à colher. Pronto, passado isso, ainda andou mais 1 mês no nosso quarto e aos 10 meses ganhou asas e tive direito a um quarto só dela e nós um quarto só nosso.
Acho que ela não notou a mudança de quarto pois o berço era o mesmo desde os 4 meses.
Mas isto para contar que durante esse período de partilha de quarto, sempre que ela mamava, durante a noite, eu deitava-a na nossa cama e n.º vezes adormecíamos as duas. Quando olhava o relógio já tinha passado 1h quando sentia que apenas tinha pestanejado. Colocava-a no berço e rezava por mais 1 horita de descanso.
Nunca, consciente, quis que ela dormisse na nossa cama e lembro-me de noites em que ela berrava por este mundo e por outro qualquer e eu embalava-a pelo quarto com B. a dizer-me: "Deita-a aqui na cama!" e eu, convicta: "Não!" "Não". Aquele medo de que ela se ia habituar mas sem o medo que ela se habituasse ao colo durante as noites (vai-se lá perceber as lógicas de mães atordoadas de sono). E era capaz de ficar 2h e 3h com ela ao colo correndo quarto e sala e sem a deitar na cama.
Agora olho para trás e penso: "Burra!" Penso também: "Tinhas razão, amor!" (mas só nessa vez). Agora penso que ao primeiro grito, vá ao oitavo, deitava-a na nossa cama e se isso fosse consolo para os 3 por que razão tentar a via mais difícil.
No natal, tinha ela 12 meses, e ficamos no apartamento do costume em Lisboa. Ela sozinha na cama de casal e nós os dois no sofá cama porque achava eu (B. nisso já deu provas que é mais intuitivo e descontraído) que em 2 noites ela se ia habituar a dormir conosco quando já o fazia sozinha.
Nestas férias, já eu com quase 20 meses de maternidade, ou seja, talvez um pouco mais sabedora, não me preocupei com camas nem habituações. Pensei que férias são férias, fura-se horários, fura-se algumas sopas, fura-se uma ou outra sesta que se faz no carrinho, e ficámos os 3 na mesma cama. Eu gostava daquele torrão doce no meio de nós mas nunca dormi muito descansada. Foram quase 15 dias em co-sleepping, sem eu me ter preocupado com o regresso. Pensei que em casa as coisas correriam como de normal, apesar de uma semente de dúvida estar plantada se haveria choro ou resistência.
Primeiro dia em casa: sesta na sua cama sem choro ou reclamação. À noite igual... perfeito. E tem sido assim, sem que ela, por momento algum tenha pedido a nossa cama.
Caso tivesse sido diferente, fazia-lhe entender que na nossa casa temos quartos diferentes, camas diferentes e cada um dorme na sua. Nisso seria firme pois ela já é bastante crescida e percebe perfeitamente a distinção.



No apartamento em Lisboa
P.S. Esqueci-me de referir que, às vezes, éramos mais na cama.

Moral da história: Temos que seguir mais o nosso coração e menos a cabeça. Os hábitos criam-se e descriam-se para se criarem novos hábitos. As crenças são para quem não tem filhos. As incertezas e as tentativas/erro/nova tentativa/certo para quem os tem. E, por fim, o que todos os pais dizem: O tempo voa quando somos adultos e passa à velocidade da luz quando somos pais.
 

6 comentários:

Algodão Doce disse...

É sempre fácil pensar e falar quando não temos filhos. Agora quando eles aparecem é que são elas e tudo o que para nós mães era errado por vezes tonara-se certo.

BJ lindo e como eu te compreendo.

Surinder Singh disse...

Cute ...
Fashion Photographer

Fashionista disse...

não podia concordar mais, na educação dos filhos não há regras, verdades absolutas, há que seguir o coração!

Anónimo disse...

Isto faz-me lembrar aquela história de que não devemos estar muito tempo com um bebé ao colo ou ficam mal habituados!
Sempre achei isto um disparate, pois um bebé de poucos meses precisa de se sentir seguro e amado e nada melhor do que o aconchego do colinho da mãe!
Estive com a minha filha ao colo sempre que ela e eu precisávamos e foram momentos mágicos!
Se tivesse seguido estes "conselhos", hoje estaria profundamente arrependida!
É como dizes, devemos dar mais ouvidos ao coração!!!
Jins,
V.

Dia - a - Dia disse...

Linda.
Eu às vezes digo a uma pessoa de familia, 'Não o habitues mal, senão vais penar depois.'
A resposta que me dão: 'Consola, ele é tão bebé, temos tempo depois de habituar, e além disso passa tão depressa, temos que aproveitar.'
Fico contente com essas respostas, pk se fosse eu já teria otado pelos quartos separados e camas separadas.

CS disse...

É incrível como tanto muda depois de termos filhos. É impossível seguir mantras e crenças de quem nunca os teve.
Obrigada pela vossa partilha ;)