ALICE

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terça-feira, 13 de setembro de 2016

A escola e as sestas

Ontem tivemos jantar com amigos, à mesa professores, enfermeiros, todos eles pais e mães.
Falava-se do início do ano letivo e, abordado por mim, das sestas da Alice.
No caso da minha filha, ela continua a dormir sestas entre 2 a 3 horas. É uma necessidade biológica dela, à qual não há resistência nem birras. Depois do almoço já conhece a rotina de cor: mãos, boca, dentes e sono, sempre por volta das 12h30/13h, dormindo até às 15h/15h30/16h, seja dia de semana, seja fim-de-semana.
Ela precisa e nós precisamos para que o final de tarde e noite sejam tranquilos e felizes.
Agora começa na escola e, como seria de esperar, não há sestas em escolas públicas, nem em nenhuma escola privada da ilha na sala de crianças com mais de 4 anos.
Não vale a pena falar aqui dos benefícios da sesta, do repouso a meio da tarde, das mais valias não só ao nível do relacionamento com os pais como da aprendizagem. Contudo, todas as crianças são diferentes e algumas começam a deixar a sesta mais cedo do que outras. Vão resistindo à sesta e vão abandonando a mesma de uma forma gradual e quase por vontade da própria. Outras vão mantendo a sesta numa necessidade diária até ao máximo possível, tendo em conta a logística dos pais e escolas.
Deparo-me com a questão das sestas e com a minha relutância em impor a ela o abandono de algo que penso ser muito necessário no seu desenvolvimento emocional e cognitivo. Sim, a dormir à tarde permite à criança controlar melhor o seu nível de alerta e não cair nas ditas birras por causa de privação do sono. Permite ainda que possa jantar em família, estar em convívio com pais e irmãos sem tombar a cabeça em cima da sopa ou ter a reação inversa, estar num nível de atividade extremamente elevado em que não pára quieta.
Não tenho nenhuma decisão tomada. Vou ouvir a educadora, vou ver a reação da Alice a este novo mundo, vou conversar com o pai e depois decidiremos se ela frequentará apenas as manhãs, dormindo a sua sesta em casa, se ficará até às 15h abdicando do sono da tarde. Vou saber também do regulamento da escola porque muito se falou ontem da impossibilidade de os pais irem buscar os filhos antes do fim do período escolar diário. Acredito que assim seja a partir do 1º ano, vá do ano anterior ao 1º ano. Dos 4 aos 5 anos, saberei...
As minhas amigas professoras aconselham-me logo a deixá-la na escola por causa das atividades que fazem, por causa do que ela irá perder, por causa da dinâmica da escola. Nenhuma dessas razões é suficientemente forte para mim, se sentir que o abandono das sestas tiver efeitos negativos na Alice: birras, cansaço extremo, hiperatividade, adormecer antes do jantar.
Ela é apenas uma criança de 4 anos, ela não vai sequer para o ano de pré-primária anterior ao 1º ano.
Não me preocupa a avaliação dela, não me preocupa as atividades que ficaram a meio. Nada disso me preocupa, caso verifique que a privação de sono seja uma realidade mais pesada para ela.
Contudo, se ela se adaptar bem, se ela pedir para ficar o dia todo, se o organismo dela se adaptar bem à alteração de horários de sonos, aí nem penso duas vezes e as sestas ficarão para o fim-de-semana ou feriados se assim ela desejar.
Eu não imponho a minha forma de ser ou de estar na maternidade aos outros, não imponho sequer as mesmas ações à Alice do que ao António. Tento ir ao encontro das necessidades de cada um e responder de acordo com isso.
Este, como quase todos os temas da parentalidade, pode suscitar muita controvérsia. Ontem, éramos só 6 e os pontos de vista eram muito diferentes. É claro que todos queremos o melhor para os nossos filhos, para mim, o melhor para a minha filha é compreender as suas necessidades (biológicas ou outras) e ir ao encontro delas.
Caso abdique das sestas não estou a ver fazer uma viagem de 20 minutos de carro para ir com ela à natação às 5h da tarde sem que me durma pelo caminho. Depois acordo-a para a despir e enfiar numa piscina? Para alguns até pode resultar, peço que a minha faria uma pequena grande birra. Será, de certeza, uma atividade que ficará dependente de ela dormir ou não da tarde.
Tiveram experiências semelhantes ou tudo resolvido com as sestas deles antes de terem que abdicar totalmente delas?

9 comentários:

Helena C. disse...

A minha entrou para a pré-escola com 3 anos. Também dormia a sesta antes e continuou a dormir, só que em vez de dormir ao fim do almoço às 13.30h passou a dormir quando chegava a casa às 15h (normalmente adormecia pelo caminho...). A meio do ano passou a frequentar o prolongamento de horário e se tivesse sono colocavam-a dormir. Fui busca-la muitas vezes e ela estava a dormir...
O facto de dormir as sestas mais tarde faz com que à noite não tenha sono tão cedo como o desejado, mas se ela tiver sono durante a tarde não há como impedi-la de dormir, adormece em qualquer lado!
Boa sorte...

A Pimenta* disse...

O mais importante é de facto avaliar o comportamento dela face à ausência do sono da tarde. Tudo dependerá da resposta física e psicológica dela. Por aqui, nos infantários, até aos 4 anos fazem a sesta, dos 4 aos 5 penso que há locais que ainda o fazem, mas no público efetivamente isso não acontece.
Dar tempo ao tempo será o melhor para já.

Anónimo disse...

Tenho um filho de 3 anos que frequenta a Creche/Pré-Escolar(IPSS) desde os 5 meses e o ritmo é o seguinte: Nos berçários e salas de 1, 2 e 3 anos é obrigatória a sesta. Nas salas de 4 e 5 anos deixa de haver sesta. As crianças só podem entrar no infantário até às 9:30 e só podem sair a partir das 17:00, salvo raras excepções justificadas isto para não interferir com sonos, actividades, refeições, etc....
Tenho também a referiri que as mudanças são mais cimolicadas para nós pais do que para as crianças, e sim nós pais temos muitas relutancia em alterar as rotinas dos nossos filhos....

Anónimo disse...

Um texto muito pertinente e bem escrito. O meu só tem onze meses, e está num berçário privado, onde fazem sestas. O meu filho não dorme bem a sesta lá. Não sabemos se é o barulho dos outros meninos, mais crescidos, nas outras salas, se é a excitação de ter estado a brincar. Não fazemos ideia. Se há coisa que me perturba e incomoda é o meu filho não ter o descanso necessário durante o dia.

O que aprendi com o meu filho é que ele necessita de ter dois "resert", um de manhã, outro por volta das 17h. Como sei que, se o levar diretamente para o berçário ele não faz esse resert da manhã, o que faço é sair mais cedo de casa para ele fazer esse soninho breve durante o percurso.

Vozes levantaram-se a criticar-me porque eu estava a habituar o meu filho a dormir apenas com o carro em andamento! Errado! O que interessa é o meu filho fazer aquele sono tão necessário para ele. Se é no carro, numa cozinha, ou no chão não interessa para mim. Para mim interessa-me que ele o faça!

Quando o vou buscar ao berçário, está tão exausto, que assim que entra no carro adormece logo. O que faço? Dou uma volta maior para que ele faça aquele tal resert. De noite, dorme das 20h às 07h30 da manhã. E sem precisar de um carro em andamento para adormecer!

Por isso, o que interessa é que eles durmam.

Sónia Barreto






Anónimo disse...

A minha filha ate meio de agosto (altura que deixou a creche) dormia sempre sesta. Como em setembro no jardim nao havia essa possibilidade, fui tentando durante este mes desabitua-la. Comecei por a acordar quando ja tinha dormido 1h... depois fui tentando que nao dormisse. No inicio notava bem que na suposta hora de drmir ficava muito "rebugenta". Mas agora ja se adaptou bem. Alem disso sempre dormiu mt bem de noite... quando dormia sesta à noite detava-se por volta das 21h (dorme ate cerca das 8h). Agora tenho deitado pelas 20h30 e esta a correr bem!
Eu nao tinha, como tens, a possibilidade de a ir buscar a escola para dormir em casa, mas para mim faz sentido a tua forma de pensar. 1o esta o bem estar e as necessidades da crianca. DI

Anónimo disse...

A minha mãe está este ano na sala dos 5 anos, os meninos dormem a sesta e é escola pública. :)

Anónimo disse...

(trabalha na sala dos 5 anos, entenda-se :p)

Kaipiroska disse...

Como sabíamos que, à partida, não haveria hora de sesta no colégio, começamos a desabituar o Diogo de a fazer no verão antes de ele entrar. Por norma, e se assim os pais o desejarem, os meninos de 3 anos podem fazer sesta, mas não houve nenhum caso no colégio do Diogo. Rápido ele se desabituou. Além disso, ele chega a casa tão cansado (vamos sempre buscá-lo às 15h30), que parte das vezes acaba por adormecer no sofá e nós só o acordamos à hora de jantar. Ele por enquanto não tem qualquer atividade extracurricular, pelo que isso também não se põe em causa.
No caso da Alice, têm mesmo que ver o que será melhor para ela e como irá ela reagir, física e psicologicamente, à falta da sesta.

Monika Kardoso disse...

O meu filho de dois anos começou este ano na escola (apenas de manha), e tive de cancelar uma das atividades que tinha por ser às 15h. Ele precisa de dormir nem que seja uma hora e não fez mal nenhum ter de abdicar dessa atividade uma vez que ir à escola já é muito animado. A aula de música tambei mudei o horário pelas mesmas razões (começa às 16h15). Pelo descanso dele e sanidade da restante família para mim e para ele a sesta é sagrada.