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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A todos os educadores e auxiliares de educação

Nós pais, não vos pedimos que sejam pais dos nossos filhos, nas longas horas que passamos a trabalhar, com eles em pano de fundo em quase todos os momentos do dia,

Nós pais, não esperamos tratamento especial para os nossos filhos, não esperamos que gostem deles como nós gostamos, mas que gostem deles na medida certa que eles precisam para se sentirem seguros,
Nós pais, percebemos e reconhecemos que a vossa tarefa não é fácil, nós sabemos em todos os fins-de-semana e férias e apenas temos 1, 2, 3, na loucura das loucuras, 4,

Nós pais, aceitamos que gritem, que se chateiem como nós gritamos e nos chateamos, mas queremos também que abracem, que beijem, e saibam as palavras certas que sossegam o coração dos nossos filhos e os façam crescer na empatia pelo outro,

Nós pais, não queremos apenas o que está no vosso contrato de trabalho, queremos os beijos que curam dóis-dóis, os abraços que os levantam do chão, e os sorrisos que os fazem querer ficar mais tempo,

Nós pais, por mais que gostemos que eles façam atividades e desenhos expostos na sala para nossa vaidade, gostamos mais de saber que eles tiveram um colo e uma palavra de carinho quando choraram por nós,

Nós pais, queremos e desejamos tudo aquilo que vós, educadores e auxiliares, querem e desejam que os outros sejam para os vossos filhos, nem mais, nem menos, assim, um abraço, um colo, um porto seguro fora do seio familiar,

Nós pais, entregamos-vos a parte mais importante da nossa vida, deixamos todos os dias um pedaço do nosso coração em vossas mãos, confiando e respeitando o vosso trabalho, mas desejando que nunca se esqueçam daquilo que vos foi entregue e da vossa importância e peso na nossa vida,

Nós pais, podemos nem sempre ser justos com o vosso trabalho, podemos não compreender a gestão de uma rotina com tantas crianças, podemos ficar de visão destorcida de tanto amor que sentimos por eles, mas, nunca esquecemos de quem passa o tempo com eles, não esquecemos de quem está onde não podemos estar e esperamos que nunca se esqueçam do vosso papel, da vossa importância e do impacto positivo (ou negativo) das vossas ações,
 
Eu, mãe de coração apertado, desejo que o meu filho encontre o seu colo seguro rápido, desejo que as lágrimas que todos os dias lhe cobrem o rosto e que todos os minutos que passa sentado numa cadeira sem querer brincar conheçam o seu fim e que possamos os dois voltar a sermos felizes.

8 comentários:

Anónimo disse...

Fico de coracao apertado a ler o teu testemunho! Felizmente a minha filha teve uma adaptacao tranquila e ainda hoje ao trocar meia duzia de palavras com a eduadora ela me disse que a minha filha gosta muito de estar no colo dela.... como todos gostam! Desejo que nao tardes a contar-nos dos dias felizes do Antonio na escola! Beijinho. Lipa

Elix disse...

Nunca diria melhor! É mesmo isto, sem tirar nem pôr!
Muita força e grande abraço de uma mãe. Confia no teu instinto.
Sei o que é e não desejo a ninguém...
beijo agrande

Carla Marques disse...

Conheço muito bem o sentimento e estou muito solidária contigo. Não é nada fácil mesmo esta fase, nada. Deixamos o que nos é mais precioso nas mãos de outras pessoas e temos que confiar que vai correr bem... sempre de coração apertado.
No início, quando a mais velha foi para a creche, foi tão horrível para mim nos primeiros tempos, que tinha que ser o pai a ir levá-la. Um dia fui buscá-la e fiquei um bocadinho a vê-la sem ser vista (quem nunca?). E aí eu vi o carinho da auxiliar com ela, o afeto verdadeiro que dedicava à Lara, que estava mais chorosa e abatida porque ainda eram os primeiros dias. Entretanto passaram dois anos e já lá está a Maria também e o carinho daquela senhora para com as crianças é comovente. A forma como fala das conquistas delas e como é carinhosa para cada menino é uma coisa maravilhosa. Isso ajudou-me muito a decidir pelo sítio. Há muitas coisas ali que não estão de acordo com a minha personalidade, muitas mesmo e algumas ao nível da educação. Mas nenhuma delas choca o suficiente com o afeto e a dedicação que dedicam às crianças e acho que é isso que nós mães procuramos agora, enquanto eles são tão pequeninos.
Nós queremos que lhes possam dar um pouco de afeto, um pouco de amor também (embora um amor diferente). Queremos um pouco mais do que segurança, alimentação e ensino. As crianças alimentam-se sobretudo de amor, de carinho.
Espero que corra tudo bem e que possam, em breve, ver o teu filho a correr para a escola, cheio de alegria e vontade e que existam dias até em que te peça para ficar mais um bocadinho. :) Que tudo corra bem!

CS disse...

Lipa, espero escrever um post destes em breve... Obrigada pelo carinho

CS disse...

Elix, enquanto mães temos tanto para passar, aprender e crescer. Esta é só uma de muitas. Bj

CS disse...

Carla, é esse afeto que desejo e que não tenho a certeza que exista... tenho que aguardar e ver se o António consegue criar uma ligação lá. Já passou mais de um mês e continua como na primeira semana...

ML disse...

Um beijinho nesse coração de mãe. Que o António encontre esse carinho e conforto logo, logo!

A Pimenta* disse...

O mês de Setembro foi um caos por aqui. A semana que passou, já era Outubro, digamos que foi a mais calma, pois só uma vez é que a minha filha chorou porque não queria ir para a escolinha. Achava eu que a primeira semana de Set. tinha sido a pior.
O mês passava e os dramas aumentavam. Como conheço bem uma auxiliar que trabalha no infantário onde está a minha filha, falei com ela porque achei que à quarta semana, não era normal manter a resistência. Ela disse-me que o grupo da sala da S. não era fácil: muitos resistiam, são meninos que ficaram os 3 anos iniciais da vida deles com a mãe/avó e agora estavam a adaptar-se mas que não estava a ser um processo fácil. Fiquei mais tranquila até porque recebi mais informações para além destas mas mesmo assim todas as manhãs questionava-me se estava a fazer e a escolher o sítio melhor para a minha filha.
Atualmente, está mais fácil. Não resiste tanto e como disse anteriormente, a semana passada já correu melhor.
Não é de todo fácil todo este processo, para eles e para nós. Esperemos que brevemente as lágrimas do António dêem lugar a um enorme sorriso no momento de ir para a escola.