ALICE

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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A hora de maior stress

Fico no trabalho até umas 14h30 no máximo. Vou para casa e a Alice está sempre na sua sesta. Na maioria das vezes, o António está acordado. Depois acorda ela e com sorte, ele dorme mais uma sesta antes do final de tarde.
Lides domésticas, muitas vezes compras na rua e já não há sesta para o António até ao jantar. Por volta das 19h o jantar ao mais novo, seguido de banho e direto para a cama. Entre as 19h30 e as 20h já ele dorme sossegado. Fico com a mais velha. Jantar, banho, brincadeira quando consigo senão brinca ela sozinha ou então inventámos que temos um restaurante em casa. Ela come e eu faço conversa enquanto lavo a loiça.
Vê um desenho animado ou ouve uma história e começo eu com as instruções: "Alice, nada de conversas no quarto! Alice, não vais estar a chamar a mãe pouco a pouco! Alice, nada de falar alto!"
Ou seja, parece que lhe faço uma lista das coisas que ela terá de fazer e que me deixará de cabelos em pé.
Não sei se é o cansaço do dia, se a vontade de me atirar ao sofá sossegada, se o desejo de um momento de silêncio, esta é a altura do dia em que menos paciência tenho. Faço um esforço mental por manter a calma, afinal, ela é apenas uma criança.
Subimos as escadas para o quarto onde o mano já dorme há 1h, 1h30, e já ela começa a falar, baixinho mas ainda assim a falar. Parece que se lembrou de mil e uma perguntas para fazer, dezenas de coisas para contar. Vou respondendo ou dizendo xiiiiii, várias vezes. Entramos no quarto e continua, ainda que muito baixinho, no blá, blá, blá. Eu vou-me enervando, também baixinho. Chateio-me com ela e brigo num sussurro muito baixo (acho que filmado daria uma comédia). Ela faz beicinho e tem sempre um "mas, mãe...". Digo-lhe: "Caluda!" num tom já não tão baixinho, ela responde baixinho: "Isso não se diz às pessoas!". Contraponho com: "Acabou a conversa!" enervada já mais comigo do que com ela porque sinto que todas as noites entro numa bola de onde não consigo sair, não lidando da melhor forma com a situação. Ela, sempre atenta, diz logo: "Mas, mãe, já estás a falar alto!"
No dia seguinte páro e penso que a minha vida é simples, privilegiada e calma. Tenho um horário de luxo, os meus filhos vivem em casa longe do stress diário de horários de entrada e saída, todos somos bem saudáveis, são ativos mas longe de serem irrequietos, comem normalmente, brincam sem estarem a desafiar o perigo e os seus limites...
No dia seguinte páro e penso que nunca na vida os meus filhos me amarão de forma tão incondicional como agora, nunca na vida quererão tanto de mim, nunca na vida serei tão admirada por eles como agora.
No dia seguinte páro e digo para mim: "Relaxa, aproveita a magia que a tua filha traz nos olhos. Não lhe digas que o baile vai ser só cinco minutos e depois cama. Não apresses o piquenique no chão que ela te preparou, o chá imaginário que fez e bebe descansada sem impor um timing. Relaxa e aproveita o amor que ela te dá em cada gesto e abraço, nos beijos que te oferece nem pedir nada em troca. Relaxa e não te esqueças que nunca te amará tão incondicionalmente como agora."
Hoje não vou brigar, nem sequer baixinho...

5 comentários:

Sofia disse...

Quando li a primeira frase pensei logo "14h30m?! que sorte que ela tem". Eu nunca vou ter essa sorte. Estou gravida pela primeira vez. Ainda não sei o que é isso de ser mãe e de viver esse stress diário e ao mesmo tempo delicioso do dia-a-dia. Mas todos os dias penso "a minha filha está a caminho. como será que vai ser o nosso dia a dia com este trabalho e horario louco que eu tenho. Só queria ter um trabalho com um horario normal!". E quando eu digo normal, digo poder ter a liberdade de sair as 18h00 (o meu hoarrio teórico é das 9h00 as 18h00) sem ter ninguem a olhar pra mim de lado porque saí a horas e quero estar com a minha filha. Porque é que o mundo não é normal? Porque é que tenho sempre tanto trabalho e tenho que ficar tantas vezes até 19h00 ou 20h00?

Se neste momento me dissessem "descansa. A partir do momento em que a tua filha nascer vais sair todos os dias as 18h00 (vá 18h30)" já era a mulher mais feliz do mundo. Mas pronto. Já sei que este assunto vai dar pano p'ra mangas!! Da parte que me toca vou fazer sempre os possiveis pra estar sempre que puder e o maximo tempo que poder com a minha filha! Não quero estar a sofrer por antecipação. Não quero estar a sofrer por antecipação. Pode ser que tudo flua naturalmente e que eu consiga sempre conciliar tudo da melhor maneira. Desculpe o desabafo quase em modo testamento. Mas tudo isto para lhe confessar que é feio ter inveja...mas que inveja eu tenho do seu horário de saída. É uma sortuda acredite!! ;)

CS disse...

Sofia, uma inveja mais que natural. Estou em redução mas depois passo para as 15h. Muito bom igual e estou a 5minutos de casa. Sei que sou muito sortuda.
Quando a sua princesa nascer todos os minutos serão preciosos. Temos que viver a vida que nos é possível viver. Pra quando o grande dia? E adoro testamentos ;)

Sofia disse...

O grande dia é 6 Dezembro :) Ainda falta...mas segundo dizem passa rápido!

(falo na teoria claro (40 semanas). Mas nunca se sabe. Poderá vir antes ou depois)

Bj :)

CS disse...

Passa rápido ;) Felicidades
Depois vem cá dar a boa nova :)

Sofia disse...

Combinado ;)