ALICE

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"Fazes-lhe as vontades todas"

Já ouvi várias vezes da boca de B. referindo-se à Alice. De todas as vezes sinto um misto de sentimentos que balançam entre injustiça, incompreensão, visão deturpada da realidade.
Ontem, ao jantar, entre família, ouvi mais uma vez, e desta vez, veio acompanhada de exemplos. Fiquei a pensar e continuo a pensar: Será? Será mesmo?
Eu acho que não, acho que faço aquilo que posso fazer, aquilo que devo fazer.
Se ela chora que quer brincar comigo quando estou em lides domésticas, será mau deixar tudo e ir brincar com ela?
Se ela acorda pelas 7h e recusa-se a deitar-se um pouco na nossa cama e reclama que quer ir para a sala e que só pode ser com a mãe, será mau realizar-lhe esse desejo todos os dias antes de ir para o trabalho?
Se vamos ao hiper e ela corre para o corredor dos brinquedos e dos livros e fica lá deslumbrada pegando neste e naquele, apontando para tudo e eu fico do lado dela enquanto o pai percorre os corredores fazendo as compras, será mau dar-lhe esses minutos de brincadeira, saindo no final sempre sem nada e dizendo adeus a todos os brinquedos?
Eu sei que é no meio, que no meio é que está a virtude. Que nem demais, nem de menos. Que nem tudo, nem nada. Mas onde está o meio na educação de uma criança? Será que alguém me consegue traçar uma linha no chão e dizer-me: Olha, podes vir até à linha mas não podes saltar para o outro lado. Para mim seria fácil.
Eu faço o meu melhor, faço o que acho ser melhor para nós. Mas não sei se é o melhor. Sinceramente não sei se sou muito permissiva. Sei que ela fica louca quando vê bolas numa loja, mas já tem em casa e nunca as compro. Sei que pede para ver televisão mas apenas tem direito a uns minutos por dia e há dias que nem vê. Sei que pede para voltar para a sala quando vamos dormir à noite mas nunca voltámos à sala depois de decidirmos dormir. Sei que recusa-se muitas vezes a secar o cabelo mas o cabelo não pode ir molhado para a cama e é ponto acente que ele será secado.
Também neste campo podia ir buscar muito exemplos.
Reconheço que posso não fazer-lhe as vontades todas (acho eu) mas tento ir ao seu encontro, às suas necessidades e que coloco o tempo com ela à frente do tempo com qualquer outra coisa ou pessoa.
Fica o exame de consciência, pensar e repensar nas minhas atitudes...

6 comentários:

Sónia Barreto disse...

Penso que, para simplificar as coisas, deviamos ver a educação de uma criança como a receita de um bolo. Livros de culinária há aos montes, receitas de bolos idem aspas. A mãe faz de uma maneira, a tia de outra, a avó, a vizinha ainda de outra diferente.
Há quem goste de bolos doces, outros de bolos mais secos, uns com chantily, outros com nozes e por aí fora.

Tu pegas em várias receitas, dicas da mãe, da avó, da vizinha, daquele livro xpto de culinária e inventas o teu próprio bolo.

A educação da criança é isso. É absorver de todos os lados e criarmos nós a nossa própria receita.

Ninguém melhor que os pais para conhecerem o filho que têm. A criança é uma folha em branco mas vem já com os seus próprios traços de personalidade. Ela será o resultado da receita em que os ingredientes foram o físico, o biológico, o social, o cultural, o psíquico e o espiritual.

Não é porque houve uma vez que lhe deste mais uma bola, ou deixaste-a ver mais umas horas de tv, ou deste-lhe outro chocolate que ela se tornará um adulto desiquilibrado/mimado.

Pelo que leio aqui pareces-me uma excelente mãe. Como dizes, encontras muitas vezes o meio termo. E o equilíbrio é fundamental.

Soltas as Palavras disse...

Meu Deus como te percebo.

CS disse...

Oh sónia, como gosto quando aqui passas e dás o ar da tua graça e sabedoria ;)

Anónimo disse...

Oh minha querida, como eu te percebo!
Esta dúvida atormenta-me todos os dias.
Em tudo na vida procuro sempre encontrar o meio termo e com a Nina não é diferente, o que por vezes também gera divergências com o pai. Umas vezes sou mais permissiva outras vezes mais controladora. Por isso, é natural que nos momentos mais relaxados sejamos rotuladas apenas como permissivas!
Acho que as crianças têm que ter regras, mas também têm que ser felizes. Claro que adorava que a minha filha fosse super bem comportada 24 horas por dia, não gritasse, não fizesse birras, ficasse sempre a meu lado quando saímos... mas isso faria dela uma criança mais feliz??? Não me parece!
Um sorriso enorme acompanhado de gargalhadas invadem a sua carinha quando entramos numa loja cheia de bolas...como não vou permitir que ela entre na loja?!? Entramos, brincamos um pouquinho e saímos felizes (e sem bola)!
C., tenho a sorte de seguir de perto a educação que dás à Alice e posso dizer, com toda a certeza, que és uma mãe maravilhosa e super dedicada. O resultado está na Alice, que é uma criança super doce, tranquila e, acima de tudo, muito feliz!!! É a prova que estás a fazer um excelente trabalho!
As dúvidas sobre a educação das nossas filhas irão perseguir-nos toda a vida, mas temos que ter a convicção que fizemos sempre o melhor que podíamos e sabíamos e, acima de tudo, que demos sempre o bem mais precioso do mundo: O NOSSO AMOR INCONDICIONAL.
V.

CS disse...

Querida V. a Nina é uma menina cheia de vida e energia. Adora uma boa gargalhada e mesmo que as gargalhadas não saltem da boca ela puxa-as querendo prolongar uma situação engraçada, já reparaste?
A D. Birra é nossa amiga também. Prefiro bem as birras delas que as birras que tantos adultos no cimo da sua longa vida fazem pior figura que 100 crianças juntas.
Temos que ser conscientes mas temos também que descontrair mais e deixá-las ser crianças...
bj e obrigada pela partilha :)

Sónia Barreto disse...

:)) Obrigada C.! Gosto muito de cá vir. Sinto-me bem vinda.