ALICE

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sábado, 3 de agosto de 2013

Manhãs que parecem dias

Levantámo-nos da cama antes das 6h da manhã porque é a mais nova que toca a alvorada e manda nas horas em que nos levantamos. Repeti levantámo-nos ao invés de acordámos porque mal  se pregou olho (os adultos) com a discoteca ao ar livre montada perto de nossa casa. As batidas até de madrugada faziam-se ouvir dentro do quarto.
Terminam-se as limpezas iniciadas ontem ao final da tarde e é nestas alturas em que penso que o dinheiro me faria uma pessoa mais feliz. Aprende-se a aspirar um sofá com uma bebé saltando de almofada em almofada. Aprende-se a lavar o chão com uma bebé agarrada ao cabo da esfregona. Aprende-se a conviver com situações em que nem sequer pensávamos.
Às 9h e pouco já estávamos os 3 no mercado, entre fruta e legumes frescos, numa agitação só conhecida nos mercados aos sábados de manhã. Pelo caminho recusamos um convite para ir à praia, lá encontramos conhecidos da massagem infantil. Alice come sempre uma banana e eu escolho uma tangerina que não me agradou. B. corre de banca em banca porque não consegue o que precisa numa única banca. A alface roxa é num sítio, as batatas minúsculas no senhor do fundo, os ovos caseiros na banca do costume e as  minhas flores que deixam a nossa casa bem mais bonita.
Regressamos a casa com a Alice a reclamar de sono e birra porque vai na cadeira. Quer andar pelo seu pé, cruzar-se com as pessoas a quem vai exclamando: olá, olá.
Em 5 minutos estamos em casa, num percurso a pé tão curto que quase não podemos chamar de passeio.
O queixume de uma bebé, próprio de quem se levantou antes das 6h da manhã, o não querer comer que se tem vindo a registar nos últimos dias e que começa a preocupar-me, o querer a televisão ligada para ver desenhos animados quando queremos cortar no excesso de tv que andava sujeita (quem é criado em casa habitua-se àquele aparelho ligado quase dia e noite mesmo que ninguém lhe preste atenção), o tentarmos que vá fazer o sono, o berreiro no quarto quase a tombar de cansaço mas a pedir para ir para a sala. Tento manter a  calma, fingir que os gritos dela não me fazem ter vontade de a largar na sala e deixá-la à sua vontade. Consigo manter a calma, falar-lhe ao ouvido quando berra e chora, contar-lhe as coisas que podemos fazer depois dela dormir, falo-lhe na Ni, a sua grande amiga, nos dias de praia e banho e, entre soluços, ao meu colo, adormece pelo meio-dia.
Desço a pensar que existem manhãs que parecem dias inteiros, manhãs de lindo céu azul em que limpámos e vamos às compras quando desejava apenas passeios e descontração, sem choros nem birras, com maridos perfeitos, filhos perfeitos e nós próprios perfeitos numa vida de perfeição.
No fundo das escadas já o pensamento me fugiu, já penso como é bom olhar para esta casa tão limpa e silenciosa ainda que tal seja apenas uma questão de tempo... tudo ficará do avesso novamente e os gritos e choros, os mãeeesssss e paaiiiiiissss se farão ouvir.


4 comentários:

EU disse...

Ca por casa as manhas são muito parecidas com as tuas... mas com gritos e birras em dose dupla! Este teu texto fez me lembrar a minha realidade... exactamente o que sinto. Bjs

CS disse...

Eu, deduzo que sejam 2 a correr e berrar. Eu lá chegarei e depois os meus textos serão um pedacinho mais de terror ;)
O importante é que o saldo é positivo e que tudo isto são ninharias comparadas com as preocupações de tantas mães.
bjs

Anónimo disse...

A minha filha, exactamente da idade da tua, está igual. Há dias em que só queria sentar me um pouco e só respirar.

CS disse...

;) Sim, é mesmo bom respirar ;)
É tão difícil saber o que está certo e errado... é fazes parece certo, outras nem por isso. Vamos vendo :)
Bjs