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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Eu não sou a mãe do Ruca

Post a propósito de um comentário ao post Colégio que, por engano, eliminei porque caiu no spam do blog. Felizmente, consegui-o recuperar na caixa de email.


Agradeço sinceramente o comentário. Este espaço é meu, sobre mim e os meus, mas sempre aberto a opiniões, nem sempre, consonantes com a minha. Vou tentar explicar a minha posição:

1. Todos os pais amam os seus filhos, querem o melhor para eles e acreditam que fazem o melhor que conseguem;
2. Todas as famílias têm a sua dimânica própria, a sua forma de ser e de estar no mundo. Isso reflete-se nas suas posições e decisões;
3. Atrasar a entrada escolar está muito longe de se equiparar a uma não vacinação. Atrasar a entrada escolar, até esta ser obrigatória, é uma opção de cada família e nunca põe em perigo a vida da criança e, muito menos, a vida de outras crianças. É, de todo, uma comparação infeliz;
4. Em Portugal é permitido por lei, as crianças poderem estudar em casa até ao 9º ano, frequentando a escola apenas para os exames. Não o farei por diversas razões podendo apontar duas grandes: não me sinto preparada para lhe passar todos os conteúdos de todas as disciplinas até ao 9º ano; quero que ela frequente a escola. Os pais que o fazem têm as suas razões, a sua dinâmica, a sua forma de família;
5. Não sou uma super mãe, estou a anos de luz de ser uma mãe do Ruca. Eu grito, eu sopro para o ar, eu perco a paciência quando não devia, mas acredito que até à data e até à idade de a Alice entrar no primeiro ano (apesar de ir fazer, pelo menos, um ano de pré) estou (estamos incluindo o pai) mais que preparados para lhe passar todas as competências ditas necessárias para uma criança da idade dela;
6. Nos campos onde nos sentimos menos capazes, chamamos ao grupo os profissionais e, por isso, a Alice já frequentou e continuará a frequentar a ginástica e a natação. Já fizemos workshops de música com exibição de espetáculo. Sempre que há participamos em eventos musicais para a idade dela;
7. Se falarmos em competências sociais (onde parece transparecer que é nas instituições que irá adquirir) ou reportórios de comportamentos socialmente aceitáveis exibidos por um indíviduo em situações sociais, de modo a conseguir um adequado relacionamento interpessoal, também sinto-me habilitada para tal. Comportamentos como partilhar, ajudar, agradecer, pedir desculpa ou dizer por favor, são  treinados em casa pelo pai e pela mãe;
8. Se na escola criam situações ou possibilitam situações para treinar esses comportamentos, na nossa casa as situações acontecem naturalmente porque vivemos em sociedade e não numa ilha deserta. Todas as semanas vai ao mercado com o pai e sabe que tem que cumprimentar quem lhe vende os legumes, agradecer se lhe oferecem uma banana. Ao final da tarde vamos ao hiper e sabe que tem que esperar pela sua vez na fila da peixaria, do talho e no final para pagar. Agradece a todos que lhe dão alguma coisa ou lhe servem. Na mercearia da rua já é conhecida porque se despede sempre com um "Obrigada e bom trabalho!". Quando recebemos visitas e porque reproduz o comportamento dos pais, a dada altura começou a dizer na saída das pessoas: "Obrigada pela visita!". Sabe que sempre que recebe amigos em casa são eles que escolhem primeiro os brinquedos porque ela os tem em qualquer altura e eles apenas quando cá estão e porque recebemos e damos sempre o melhor que temos. Visita parques infantis todas as semanas, brinca com outras crianças e pergunta sempre os seus nomes;
9. Tudo o que foi descrito acima acontece muitas vezes mas também acontece virar a cara quando lhe cumprimentam na rua e dizer que não  quer falar. Muitas vezes chora agarrada ao mesmo brinquedo que um amigo seu. Muitas vezes lhe digo, "não te esqueceste do por favor?". Muitas vezes lhe lembro: "O que se diz à senhora?" e ela responde: "Nada! Não gosto dela!";
10. Não é a escola que educa. Corrigo: Não é a escola que deve educar. A escola instrui. A escola vai-lhe ensinar que um triângulo tem 3 lados, apesar de já saber. Vai-lhe ensinar as cores, que também já sabe. Vai-lhe ensinar a contar mais de 20. A desenhar as letras porque ainda só as sabe identificar. Vai-lhe ensinar a levantar o dedo antes de falar porque cá em casa atropelamo-nos muitas vezes nas conversas;
11. Em casa ela aprendeu a sonhar. Em casa ela usa coroa e diz que é princesa. Em casa usa pijama de manhã e no verão pode usar cuecas até à hora do pequeno-almoço. Em casa aprendeu que o céu pode ser de qualquer cor e o sol, às vezes, é cor-de-rosa para combinar com a cor preferida dela;
12. Desde sempre é e foi a família que desempenha um papel primordial no desenvolvimento socioafetivo das crianças. Se a sociedade atual não o promove devido aos horários excessivos dos pais, a necessidade de ter 2 empregos, mãe e pai a trabalharem o dia inteiro, a pouca proteção à parentalidade que leva as crianças a passarem mais de 8 horas fechadas em instituições, isso é matéria para muitas outras linhas;
13. A Alice é uma privilegiada (achamos nós, outros poderão achar que ela é uma infeliz porque está fechada em casa, sufocada pelos pais) porque tem um pai que gere o seu horário e desempenha as suas funções a par do cuidados com os filhos. Quando tem que estar ausente fisicamente no seu local de trabalho é substituida pela mãe que trabalha na função pública e sai às 15h. Vive num local onde tudo fica perto e as viagens de carro mal dão tempo de ouvir mais de 2 músicas da Maria Vasconcelos, para pena dela;
14. Com a mãe faz as pinturas, brinca com plasticina, tem um quadro de ardósia onde aprende as letras. Das caixas de papelão faz uma casa e pinta com os pais. Os puzzles são dos seus jogos preferidos. Os livros acompanham-a desde berço. Na verdade, em vez de dormir com bonecos escolhia livros para colocar no berço;
15. Já tem o seu próprio cartão da biblioteca, um orgulho para ela. Requisita os seus próprios livros, entrega o seu cartão e vem para casa de peito cheio. À noite é a mãe que lhe lê sempre antes de dormir;
16. Vive ao pé de uma galeria de arte e visita-a a cada nova exposição. Pergunta sobre os quadros e eu pergunto-lhe o que vê ela;
17. Nasceu numa família numerosa, cheia de primos, primas, tios e tias. Tem uma mãe muito sociável que trava amizades com muita facilidade, amizades que trazem atrás os filhos das amigas. Tem um pai que gosta de cozinhar e adora jantares com boa companhia e bom vinho. Com os adultos chegam sempre os filhos que adoram a casa da Alice;
18. 95% das minhas amigas têm os filhos nas creches desde que começaram a trabalhar. Criados por educadoras, nas ditas melhores escolas da região, e não os vejo diferentes da minha filha. As birras são transversais, as partilhas funcionam bem em 10 minutos e nos 5 seguintes já há gritos. Os obrigadas e boas tardes vêm conforme a disposição ou a insistência dos pais (funcionando no sentido inverso);
19. Em Novembro a Alice viu chegar à família um novo membro. Estava quase a fazer 3 anos. Tinha deixado a chucha e a fralda e já se considerada crescida. O mano chegou e ela não regrediu em nada nem nunca demonstrou ciúmes. Talvez tenha sido um teste para ela. Passou com nota 20. Colocá-la na escola era afastá-la de um novo amor que estava a chegar e que precisava de crescer. Passar o dia com o irmão, vê-lo crescer dia-a-dia, a passar todas as etapas, é um novo privilégio que ela estava a ter;
20. Não me considero radical, longe disso. Posso ser considerada radical, aceito-o. Estou apenas a fazer o que acho melhor para a nossa família, na nossa forma própria de ser. Para nós funciona. Para nós é a mais perfeita possível;
21. Longe de mim achar que sou melhor mãe do que as mães que colocam os filhos nas creches porque trabalham ou porque acreditam que o melhor para o desenvolvimento dos seus filhos é tê-los lá. Eu sou apenas a melhor mãe que consigo ser para a Alice e para o António;
22. Assim será por mais um ano letivo. Fora este ainda tem mais 2 anos antes do primeiro ano de ensino básico. Para o ano faremos novo balanço e tomaremos a nossa decisão;
23. Cátia, espero que tenha percebido um pouco melhor a minha posição. Pode não compreender mas talvez a veja com outros olhos;
24. Parabéns a quem, para além da Cátia, teve a paciência de ler isto até ao fim. Haja coragem ;)

14 comentários:

Anónimo disse...

Chá verde simplesmente genial, muito bem exposto o teu ponto de vista, assim como a dinâmica da tua própria estrutura de educares os teus filhos...gostei muito...aliás és sim protetora, mulher de convicções, mas só queres o melhor para eles, e se podes oferecer-lhes este conforto, tendo em conta as regras sociais e educacionais em casa, por que não! Além do mais foste Professora, sabes bem do que falas e como agir... Da tua "aluna" à muitos anos atrás um beijinho! Keep going😉 Popita

Sandra disse...

Não conseguia exprimir-me melhor. Concordo com cada palavra e felizmente a M é também uma privilegiada criada pelos pais e avós!!

Maria disse...

Sinceramente acho que nesta coisa da educação dos filhos, cada um sabe de si. Podemos concordar ou discordar mas não há uma receita infalível! E o que é certo para umas crianças não o é para outras (muitas vezes mesmo tratando-se de irmãos).
O meu piolho entrou no infantário aos 2 anos e 3 meses. Como havia a possibilidade de ficar com os avós, achei que seria o mais correcto. Se por um lado sei que ganhou defesas (felizmente raramente está doente) e teve todo o mimo do mundo dos avós, por outro teve um atraso na fala. Se está relacionado? Não sei, pode ter sido coincidência, mas não deixo de me questionar (e culpar: se ele tivesse ido mais cedo talvez não teria havido este atraso.
Por outro lado, este ano ele podia ser matriculado na primária visto que ele é de Novembro, e por isso condicional. No entanto, decidi adiar a matricula mais um ano. Porquê? porque acho que é o melhor. Porque acho que não tem maturidade (principalmente emocional) para ir para a "escola dos grandes". Claro que há sempre vozes (às vezes inflamadas) do contra...mas uma coisa é certa: não há quem deseje o melhor para os filhos do que os pais. Se as decisões são certas ou erradas, só o futuro o dirá!

Anónimo disse...

Boa tarde

Eu tal como a Chá Verde, também decidi que a minha filha ficaria em casa enquanto fosse possível. Infelizmente não sou eu quem estou com ela mas está muito bem entregue aos avós. Não lhe noto qualquer diferença em termos de desenvolvimento quando comparada com crianças da idade dela (tem 2 anos e meio) e acho que o que ganha em termos afectivos é largamente compensador.
Mas como é lógico, as escolhas são todas válidas e acredito que todos os pais procurem o melhor para os seus filhos.


Mammi Cris ♥ disse...

AMEI cada ponto :)

Helena C. disse...

Eu também decidi que a minha filha ficaria melhor em casa e resolvi ficar com ela. E nunca me arrependi disso, a cada inverno que passava mais certeza tinha da escolha que fiz, acorda ao seu ritmo (tarde!), faz a sesta quando quer e se quer, tem uma vida ao ritmo dela sem horários impostos...Não tem qualquer atraso, fala perfeitamente e muito (grande tortura ao fim de um dia com ela!) Na minha opinião é o melhor para ela, crescer ao seu ritmo... Hoje tem 3 anos e 3 meses e em Setembro se tiver vaga na pré aqui da zona vai passar a frequentar até as 3h, porque ela começou a pedir para ir! Entretanto também nasceu a irmã mais nova que também vai ficar comigo até chegar a altura dela e já vai sair prejudicada, uma vez que vai ter de ir comigo levar e buscar a irmã e o seu ritmo vai ser condicionado por isso... Conheço quem defenda que o melhor para eles é estar desde pequenino na creche com outros meninos, e respeito, não critico, nem me considero melhor mãe que elas! Eu sou a mãe das minhas filhas e faço o acho que é o melhor para elas e os outros farão o que acham que é melhor para os filho deles... E isto aplica-se a tudo na maternidade!
Parabéns pela partilha, gosto muito de ler o seu blog

Céu disse...

Adoro ler os teus posts ... gostei especiamente deste (li até ao fim :P), também eu gostava de ter ficado mais tempo com o meu filho em casa mas não me foi possivel :(
Concordo com todos os pontinhos <3
beijinhos aos pequeninos e uma beijoka para ti :)

ML disse...

Também li o teu post até ao fim. E adorei ler-te!

CS disse...

Olá Popita. Obrigada pelo comentário. Aluna minha? fiquei curiosa ;)

CS disse...

Maria, o atraso da fala pode ser uma coincidência. Vou partilhar o caso dos meus sobrinhos: A mais velha criada pelos avós até aos 2 anos (acho) depois entrou na creche. Uma tagarela que começou a falar muito, muito cedo. Aos 5 anos teve um irmão. Esse irmão foi para a creche aos 5 meses (+/-) e aos 3 anos estava num terapeuta da fala porque não falava quase nada. Expressava-se muito bem mas por gestos e pouquissímas palavras. Desde cedo na creche e ainda com uma irmã mais velha. Deveria ter sucedido ao contrário, não? A irmã a falar mais tarde e ele muito cedo.
A Alice, em casa com os pais, tem um extenso vocabulário. O António, não sei como será.
Não se culpabilize. Ele ganhou muito mais.
Ah, o meu sobrinho, agora com 7 anos, fala como qualquer outra criança. Apenas começou mais tarde. Todas as crianças têm o seu ritmo.

CS disse...

Sandra, Helena, Céu, ML, Cris, obrigada a todas pela partilha, pelas palavras simpáticas.
Bj a todas

Rabiscos de Amor disse...

Quem me dera que o meu G tivaesse tido a sorte de ficar em casa também... mas tive que o por no infantário com 6 meses e meio, e mesmo assim ainda tive "direito"a 1 mês e meio a mais que as minhas amigas... Na altura custou-me muito, muito mesmo, mas hoje, to-dos os dias que o deixo e vou busca-lo tenho a certeza que ele é feliz, o que me deixa amim feliz também!! Em relação à educação, esta tem muito que se lhe diga, e eu aprendi que cada um faz o melhor que sabe nas circunstâncias que vive... e assim será :) beijinhos para si e para os meninos, cada vez mais crescidos :)

Monika Kardoso disse...

Gostei muito deste post e da sua exposição. Eu felixmente também posso estar em casa com o meu filho e até agora está a correr lindamente e para mim tem sido a melhor opção. Boa continuação.

Anónimo disse...

Olá.
Realmente contra factos não há argumentos!
Aliás, não deixa de ser muito interessante as perpetivas que aqui publicou por isso considero que cada família é única e irrepetível. já aprendi ao longo da minha jovem vida, enquanto mãe, que é difícil criticar decisões, sejam lá de quem for (famíliares ou até mesmo pessoais)dado que cada um tenta dar o seu máximo em beneficio da sua família, indenpendentemente dos caminhos que decida escolher.
Cátia