ALICE

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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A palmada (versão light)

O outro dia, em jantar de amigos, falava-se da teimosia das crianças. A mãe de uma menina da idade da Alice dizia: "A minha filha é muito teimosa. Eu tento a conversa. Eu digo uma, digo duas. Falo alto. Dou palmada na fralda. E ela só pára e faz quando bem entende. Não sei o que fazer?"
Eu partilhava a minha experiência: "A Alice também é teimosa e tento explicar-lhe. Nunca lhe dei uma palmada. Não o quero fazer. Não concordo com a palmada. Não vou dizer nunca, mas não acredito que seja uma solução. O pai concorda comigo ou então teríamos um problema muito grave entre mãos... pois não sei como iria reagir se ele desse uma palmada nela..." (ia haver discussão certa).
Mas ela continuava: "Ah, mas a Alice parece obedecer-te, parece mais calma e mais educada."
Fui para casa pensar nisso.
Realmente acho a Alice mais ou menos calminha, muito doce e mais ou menos educada, se é possível dizê-lo numa idade tão tenra. Nunca levou palmadas. Nunca senti momentos de crise onde perdesse as estribeiras. Nunca senti vontade de lhe sacudir o pó do rabo (como muitos dizem). Mas penso, a sério que penso, se esse comportamento da Alice mais ou menos fácil (não tenho um anjinho de menina e muito depende da nossa perspectiva) será da sua própria personalidade ou da forma como a educo, no tempo que lhe dedico, nas horas de colo que teve, nas horas de sono e descanso que tem, no fato de ser criada em casa pelo pai e pela mãe, no fato de acordar por si, no fato de ter rotinas, no fato de evitarmos, quando possível, situações extremas de cansaço ou barulho ou irritabilidade, no fato de tentarmos compreendê-la nas suas necessidades, no fato de tentarmos passar-lhe uma felicidade que nos corre nas veias, no acreditarmos que a vida é boa e passarmos-lhe esse sentimento. Se calhar o segredo está nas nossas danças e cantorias diárias.
Será que realmente sou eu que estou a fazer um bom papel ou é a Alice que nos brinda com uma personalidade mais fácil.

P.S. Este post não é apenas sobre a palmada. Sobre palmadas num post futuro.

4 comentários:

A Pimenta* disse...

Eu trabalho com crianças e acredita que acho que tiro muitas lições para um dia quando for mãe. Pessoalmente não é a palmada que resolve. A palmada intimida. E a criança ajusta o seu comportamento, perante a ameaça, pelo medo de levar mas isso não quer dizer necessariamente que aprende o motivo pelo qual o que fez está errado.
Hoje em dia o ambiente em casa, a coordenação de estilos parentais entre pai e mãe é fundamental. As rotinas são formativas para as crianças. E são teimosas se as deixarmos ser. As regras têm de ser estabelecidas e cumpridas. Não estamos a falar de um regime salazarista mas a criança tem de saber até onde pode ir.

CS disse...

Eu acho que elas facilmente se habituam à palmada. É o que vejo... vejo-as a levar mas nem por isso a mudarem o comportamento.
Não é fácil, Pimenta. Educar é muito difícil e controverso.

Elix disse...

Eu acho que pode ser uma junção disso tudo.
Contra mim falo, já percebi muitas vezes que os momentos de tensão que tenho com a minha filha, em parte é culpa minha.... porque estou mais cansada, com menos paciencia.... normalmente consigo tomar consciencia e acalmar(-me) a mim e a ela.
Fazes-me pensar....
beijinho

Elix disse...

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