ALICE

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Mãe há só uma

Para mim existem as mães de sangue e as mães de coração. Para mim as mães de sangue podem ser ou não também mães de coração mas uma mãe de coração não pode ser uma mãe de sangue. Isto para distinguir as mães que dão à luz e criam, das mães que criam mas não deram à luz.
Isto vem a propósito de uma discussão acesa e sem consenso que se deu em casa dos avós paternos da Alice.
Eu defendia que se morresse sendo a Alice de tenra idade, desejava que B. encontrasse alguém e que esse alguém pudesse ser a nova "mãe" da minha filha. Minha sogra, chocada, dizia que "mãe só há uma", que a Alice não deveria chamar de mãe a essa pessoa. B. (talvez por eu ainda me encontrar viva e de boa saúde) concordava com a sua mãe: criar, sim mas chamar de mãe não.
Não vou dizer que gostaria de ser esquecida ou que a Alice não soubesse ou recordasse que tinha tido uma mãe que lhe tinha gerado e dado à luz e que tinha sido a sua mãe em todos os minutos da sua existência e que esse tinha sido, sem qualquer dúvida, o período mais feliz da vida da sua mãe. Mas porque razão não ter uma mãe de coração que a tratasse como filha, que sentisse como sua filha para que a Alice nunca soubesse o que era viver sem uma mãe.
Eu não acredito que "Mãe há só uma". Eu acredito que mãe é quem cria, quem dá colo, quem está para enxugar as lágrimas, quem está para pular de alegria, quem está para pentear, vestir, olhar e cuidar. Eu acredito que há mães que apenas deram à luz e que há outras mães que não deram à luz mas todas elas tiveram filhos.
Não quero pensar durante muito tempo que alguma coisa me pudesse acontecer que deixasse a Alice apenas com o pai mas se esse cenário acontecesse, desejo que a minha filha tivesse outro colo tão quente e macio como o meu, que tivesse outra mão para a segurar, outro abraço para a consolar. Não, não ficaria feliz se não chamasse mãeee nunca mais na vida...

Eu não sei o que é viver sem mãe como a minha própria mãe e a minha sogra, eu sei o que é viver com mãe e sei o que é viver sendo mãe. Se o meu destino não for ser mãe por muito muito tempo, que a minha filha tenha uma mãe de coração para o resto da sua vida.


Mas eu vim para ficar. Ai daquele que ousar me levar...

9 comentários:

Mãe de gémeos disse...

Como concordo contigo, mãe também é aquela que dá o colo. Faço parte do grupo em que a mãe de sangue é a minha Mãe, sou mãe mas e por ser realista (embora tenha sido o pior momento da minha vida),por perceber que as coisas estavam complicadas para os gémeos nascerem, mas sem nunca imaginar o que se iria passar, minutos antes da cesariana pedi ao meu marido que se me acontecesse algo queria que ele encontrasse alguém que fosse boa mãe para os meus filhos. Imagino que o meu marido passou também pelo pior e melhor momento da vida dele, em que a alegria de ter os dois filhos contrastavam com o poder perder a mulher e sei que só pensava no meu pedido.
Ao escrever isto e por pensar que poderia não estar aqui, que poderia não ser a mãe dos meus gémeos as lágrimas escorrem-me pela cara. Como concordo contigo, queria e quero que se tiver de partir eles tenham alguém a quem chamar de Mãe.

Anónimo disse...

Amiga
Ser mãe de coração é muito mais do que ser mãe biológica. Ser mãe de coração é o que todas as mães biológicas tinham de ser para os seus filhos biológicos, e o que muita vez não acontece. Fica-se grávida, têm-se um filho mas o amor de mãe não acontece...
Ser mãe biológica é ultrapassar, completamente, a obrigação de ser mãe... É ser mãe porque se quer, é dar colo a quem precisa, é dar mimo sem limites...
Antes uma criança com uma mãe de coração do que com uma mãe biológica que não tem tempo, que não tem interesse, que tem outras prioridades e que "despeja" os filhos nas creches e escolas para alguém tomar conta. E são muitas as que fazem isso.
Sou mãe de coração e o meu amor pela minha filha transcende qualquer receio, qualquer medo. É por ela que peço saúde, que peço uma vida longa, para lhe dar o amor que todas as crianças têm direito.
HP


Mi disse...

=) é uma boa atitude! só aí mostras que és uma boa mãe =) *** é preciso coragem e querer mt o bm da filha acima de tudo!!=)*

mmm´s disse...

A verdadeira natureza da maternidade é o amor incondicional e outros sentimentos a este associados. Concordo que há mães de sangue que não sabem ser mães e também concordo que há mães de coração que o sabem ser. Não sou mãe e, provavelmente, não tenho os sentimentos muito apurados em relação à maternidade, mas acho que não seria capaz de amar uma criança de forma incondicional que não fosse MINHA. Talvez esteja a ser egoísta ou então estarei a falar de cor...

http://www.lavarcabecas.blogspot.pt/

Anónimo disse...

Na hipotética situação descrita, não vejo qualquer problema na utilização ou não da palavra mãe...

Mais do que chamar mãe, importaria e interessaria realmente a concretização de verdadeiros laços afetivos entre a criança e o adulto.

E aí, mesmo sem a presença da palavra, o papel de mãe seria naturalmente aceite por uma parte e assumido pela outra.

Cumprimentos,
Rui Pereira

Anónimo disse...

Olha eu fui criada pela minha avo materna desde os tres anos a minha mãe optou por acompanhar o meu pai no estrangeiro so os via quando vinham de férias quando regressaram a Portugal eu estava a iniciar a minha vida familiar chocamos muito uma com a outra ela culpou injustamente os meus avos eu distanciei-me completamente dos meus pais quando tive o meu primeiro filho alguém me disse: "Agora já vais saber dar valor a tua mãe" eu respondi que se antes dava valor aos meus avos agora via claramente o quanto eles fizeram por mim e pela minha irmã, pois ter filhos é fácil o dificil é criar e principalmente sabendo que esses filhos não são nossos a responsabilidade e preocupação vem a dobrar. Se algum dia eu faltar aos meus filhos também gostaria que o meu marido arranjasse alguem não que substituisse-me mas que fosse aquela presença materna na vida deles acho que todos são merecedores disso. Sílvia

L.L. disse...

Em plena sintonia contigo.

Dina disse...

Concordo contigo. E sabes isso é que é amor. Pensar mais além. Naquilo que realmente é melhor para eles. e o melhor é viver com mãe: que ame, que acarinhe. E muitas vezes são estas mães do coração que alimentam a memória da mãe que partiu demasiado cedo...

CS disse...

Obrigada por cada partilha.
HP, sabes o quanto de admiro, já o admirava, agora um pouco mais :)
Rui, que bom ouvir uma voz masculina por aqui.
Sílvia, tão bem dito. Pena que não tenhas tido os teus pais perto de ti. Tiveste uma avó fenomenal.
Bj a todas