ALICE

Lilypie Fifth Birthday tickers Lilypie Second Birthday tickers

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Esquecer-me de nós...

Existem datas na minha vida que jamais esqueço, entre elas está sempre o 10 de Abril, o 25 de Abril e o 1 de Setembro, ou seja, o meu aniversário (claro está, amante de festejar), o aniversário de B. que coincide com a revolução (duplamente inesquecível) e a data da comemoração do nosso amor juntos, o dia(s) em que passámos mais de 72 horas juntos quando ainda mal nos conhecíamos.
Todos os anos, semanas antes já vou recordando e antecipando estes dias com planos, ideias, prendas, apergoando: "Está quase!", "Já falta pouco!".
Este ano, pela primeira vez em 6 anos, o dia 1 de Setembro passou-me completamente ao lado como se fosse apenas mais um dia no calendário. Não me lembrei nas semanas antes, não me lembrei na véspera e não me lembrei sequer nos dias seguintes. Ontem, já 13 de Setembro, foi B. que do nada atirou-me: "Nem sequer te lembraste do nosso aniversário!"
Aquilo caiu-me pesado, fiquei completamente admirada como tinha sido possível e, por milésimas de segundos, quase acreditei que esse dia ainda não tinha chegado pois era impossível ter-me esquecido.
Durante o resto do serão fiquei a pensar no sucedido. Senti o meu coração pesado e triste comigo por ter deixado passar tão importante data. Eu, que costumava planear as minhas ofertas com meses de antecedência, fazia filmes com todas as nossas fotos, comemorando mais 1 ano de partilha e cumplicidade. Eu, como tinha eu deixado passar este dia?!?
A resposta é tão fácil... nunca fui mãe antes. E não, não é culpa da minha filha o meu esquecimento é culpa da forma como encaro e vivo a maternidade desde que ela nasceu.
É a minha primeira vez, a minha primeira vez como mãe. É díficil não nos deixarmos absorver por este sentimento, não deixar que eles tomem todo o nosso mundo de sobressalto e transformem a nossa vida outrora tão simples num turbilhão de sentimentos, de tarefas, de medos e anseios, de culpas e dúvidas, de querer fazer o melhor possível. E isto parece tomar todo o meu ser e esquecer-me de mim, dele, de tudo o que fazíamos juntos, do que partilhávamos.
Aos poucos vou tentando aproximar-me do que tínhamos mas não é fácil, para muitas mães pode ser mas para mim não é. E não o é por a minha dedicação ser maior que a das outras mas porque a minha dedicação cega-me, por vezes. A nossa opção de a termos em casa é a melhor possível, a nosso ver, mas conduz-nos a um caminho de maior dependência de nós a ela e dela a nós. Ela está connosco 24 horas sob 24 horas e se temos algum compromisso a ginástica é sempre feita entre nós, contando apenas connosco. Quando isto não é por necessidade mas sim por opção/vontade/qualquer outra coisa, começamos a respirar todos os mesmo ar e nenhum já tem o seu próprio ar...
Tenho que reaprender a viver a 3, reaprender a viver numa casa onde a chegada de um novo elemento não diminui a existência dos outros.
Talvez esta seja uma chamada de atenção, um despertar das fraldas, papas, sopas e cocós de bebé... e haja toda uma vida para além disto, uma vida onde tenho que aprender a balançar outras vidas que estão ligadas a mim para todo o sempre.
Admiro a capacidade de quem gere tão bem uma família grande, onde são mães dedicadas, esposas felizes, profissionais de mão cheia. Até à data só tinha que me dedicar ao trabalho e partilhar o meu espaço e vida com aquele que sempre acreditei ser o amor da minha vida. Hoje, além disso, tenho alguém que depende de mim para um acto tão simples como comer. Nunca tive esse tipo de responsabilidade e nunca tive o desejo tão grande de dar o melhor de mim, custasse o que custasse.

E isto tudo para dizer que jamais esqueço de quem partilha comigo a minha vida, de quem me deu a mão quando mais precisei, de quem já deu mais do que alguma vez esperei e com quem tive o tesouro mais precioso que tenho na vida. Talvez me esqueça de datas que se mantêm importantes, talvez me esqueça do beijo diário que dava todas as vezes que entrava em casa, talvez não lhe diga o quanto ele é importante na minha vida (cada vez mais). Espero que ele saiba disso tudo, espero que ele me perdoe esta alienação que por vezes caminha comigo mas não dormir de noite dá-me cabo dos poucos neurónios que ainda se mantêm de unhas e dentes. Preocupar-me com a nossa filha faz-me esquecer um pouco de mim, dele, de nós...

Para ti, meu amor:



6 comentários:

Elix disse...

Entendo-te tão bem!!! Puseste me palavras o que nunca consigo explicar bem... é isto mesmo!!! bjs e parabéns para vocês!!

Ela disse...

olha, não cometas o erro de muitas: SER MÃE a tempo inteiro e esquecer-se de ser mulher! Há relações que terminam por isto. As mulheres ficam tão absorvidas na maternidade que se esquecem que têm necessidades tão simples como tempo para si (para ler, praticar desporto, passear, ir à praia...) e tempo para o casal (namorar, jantar fora os dois, ir ao cinema, ter sexo de qualidade).
BJS.

Jardim de Algodão Doce disse...

Compreendo as tuas palavras, porque sou mulher mas acima de tudo porque sou mãe. Não de um, mas de dois filhos sendo um deles com quase 12 meses. Sei da dificuldade que é em lidar com a falta de dormir - os meus filhos nunca gostaram de dormir e isso acredita afeta muito o meu estado emocional. Contudo, eles - os homens mesmo sendo compreensivos sentem tudo de forma diferente e muitas vezes o afastamento que se gera com a chegada de um filho nem sempre ajuda o amor, o casamento. As estatísticas dizem que muitos divórcios acontecem no primeiro ano de vida de um filho - tudo porque exige a adaptação própria, as rotinas mudam e muitos não conseguem lidar ou viver com isso enquanto casal. Para mim um filho é uma prova de fogo a um casamento. O que te posso dizer é para tentares manter-te próxima porque por vezes o afastamento acontece e depois é difícil a reaproximação. Os momentos a dois devem continuar a existir, dentro do que seja possível.

Votos de muitos aniversários felizes! Beijinho

Kaipiroska disse...

Sou como tu no que toca aos nossos aniversários, até fico mais feliz que o M. quando ele faz anos. Sempre me lembrei dos nossos aniversários do 1º beijo e de namoro e, tal como tu, também este ano me esqueci do nosso aniversário de namoro no dia 29 de agosto. Porquê? Porque também fui mãe pela 1ª vez :) são sempre eles que estão no nosso pensamento, que até de nós nos esquecemos.

S@ndr@ disse...

Como entendo todas essas palavras!!!

CS disse...

Obrigada pelos conselhos. Sabemos bem os perigos que corremos e o esforço que é necessário fazer. Reconheço que tenho que ver para além da minha filha e acho que vou conseguido... mas é difícil não nos deixarmos vencer pelo cansaço. Esta é uma das razões pelas quais quero deixar a amamentação que me consome muitas energias e atenção porque ela não é criança de mamar apenas ao deitar mas sim várias vezes por noite e durante muito tempo.