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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Carta a uma amiga

Não somos amigas de infância, não andámos no mesmo liceu e nem sequer nos cruzamos na universidade. A nossa história não é longa o suficiente. A nossa história é ainda muito pequena, tão pequena como as nossas filhas mais velhas.
Lembro-me onde nos cruzamos, onde trocamos as primeiras palavras, talvez sobre os nossos bebés. Nas aulas de ginástica começou a partilha da nossa experiência de sermos mães pela primeira vez. Lembro-me bem de trocarmos conversas mas não me lembro como ou quando passaste para o meu círculo de amigos. Não me lembro do momento, da conversa ou da situação em que deixaste de ser uma conhecida para passar a ser família, a única família que podemos escolher na vida. Não foi uma escolha consciente, não foi sequer pensada ou planeada.

A nossa história foi crescendo ao ritmo das nossas filhas, dando passos a par dos passos delas. Foi (é) uma história feita de histórias das nossas filhas e de histórias das suas mães. Mães e filhas que partilham suas conquistas e angústias na procura de um abraço de consolo ou de um grito de alegria e um salto conjunto.
Lembro-me de entrarmos no parque com elas bebés, no mesmo parque onde elas hoje correm e gritam pelo nome uma da outra. Lembro-me das festas de aniversário, do brilho dos nossos olhos a vê-las crescer. Lembro-me de me lembrar de ti nas minhas dúvidas de mãe. Lembro-me das mil mensagens trocadas, dos telefonemas, dos nossos lanches que, por mais longos que fossem, pareciam serem de 10 minutos.

A experiência da maternidade que partilhávamos deu lugar à partilha de todas as outras vivências da nossa vida. Contigo falei das minhas mudanças profissionais, dos meus desafios da formação. De ti ouvi os teus sonhos e anseios. Contigo torci cada momento de um desfecho positivo.
Juntas vivemos uma segunda gravidez, uma segunda emoção de voltar a ser mãe, um coração dividido por dois. Sonhámos como seria passearmos com 4 crianças e se seria possível conseguirmos lanchar sem que o café esfriasse na chávena e o pão ficasse duro de tanta espera. Conversámos de como seria ter um segundo filho. Conversámos sobre o tamanho que o nosso coração alcançaria e das loucuras que seriam cuidar de dois.

Sabes que a nossa história é pequena, tão pequena comparada com as histórias que temos com outras pessoas. Sabes que não somos amigas de infância, que não andámos juntas no liceu nem nunca nos cruzámos na universidade. Sabes que nunca trabalhámos juntas e que apenas estamos na vida uma da outra ainda nem 4 anos tem. Reparaste como a nossa história é pequena?

Mas já te disse que és da minha família?
Já te disse que mesmo inconsciente escolhi-te para fazeres parte da minha vida, da vida dos meus filhos?
Já te disse que a minha casa tem a porta sempre aberta para ti?
Já te disse que adoro a tua família?
Já te disse que acho as tuas filhas lindas?
Já te disse que me dói o coração a cada dor tua?
Já te disse que sou capaz de pular mais alto do que tu nas tuas alegrias?
Já te disse que nos vejo ir buscar as nossas filhas adolescentes a uma aula qualquer?
Já te disse que podemos discordar, desentender mas que não acredito que deixemos de ser família?

Já te disse que a nossa história é pequena?

Da tua amiga
 
Outubro de 2015

2 comentários:

Sofia disse...

Lindo! ;)

Anónimo disse...

Cheira a remorsos