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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Peso pesado teen

Sou fã da série americana. Gosto da apresentadora, gosto dos treinadores, gosto dos concorrentes, gosto de ficar com a lágrima no olho ao ouvir as suas histórias. Gosto, principalmente, das mudanças psicológicas que ocorrem. Gosto de os ver tornar pessoas mais felizes.
Esta semana comecei a ver a série teen portuguesa. Não vi os primeiros episódios (esqueci-me de colocar a gravar antes de ir de férias) e só apanhei o do fim-de-semana passado.
O episódio mexeu comigo e irá afetar-me até terminar a série. Olho aqueles adolescentes, ao ponto que chegaram e pergunto-me como é possível terem chegado lá? Pergunto-me onde estavam os pais deles durante esse percurso? Pergunto-me como se chega a 130 kg, sem ter passado pelos 80kg, 90kg, 100kg sem nada fazer? Pergunto-me se viveram sozinhos? Se foram eles que fizeram as compras para a sua casa? Se foram eles que cozinharam em casa? Pergunto-me sobre a educação alimentar que tiveram? Pergunto-me sobre a responsabilidade que os pais deles tiveram no estado em que se encontram?

Eu falo de cor, eu falo sem conhecimento de causa, falo sem ter qualquer problema de obesidade na minha família mais próxima. Mas falo enquanto mãe. Falo enquanto pessoa responsável pela educação e saúde dos meus filhos.
É certo que fora de casa é difícil controlar e saber o que comem mas ninguém chega a 130kg pela alimentação que tem fora de casa. E se então é pela alimentação que têm e fazem dentro de casa, quem são os principais responsáveis?
Imagino que nenhum pai quer esse peso ou essa falta de saúde, autoestima e infelicidade para o seu filho. Imagino que seja um dor tremenda ver um filho assim porque também imagino que nenhum filho seja feliz com tal peso, com tal falta de mobilidade, com os problemas de saúde que acarreta e, principalmente, com a maldade com que são sujeitos por parte dos seus pares.

E depois penso, mas quem enche as prateleiras daquelas casas? Quem faz as compras? Quem cozinha? Quem fez a introdução dos alimentos quando eram bebés? Quem os ensinou a comer e o que comer? Quem lhes apresentou os sumos, os refrigerantes, as gomas, os fritos?
É difícil controlar o que as escolas e as creches dão às crianças. É difícil controlar os sacos de gomas nas festas de aniversários como prémios. É difícil fazer entender aos avós, tios e padrinhos que os doces não devem ser ofertas e prémios de bom comportamento para quem come a sopa toda. Mas muito mais difícil é viver com o sofrimento de um filho pela saúde que não tem e pela vida que devia estar a viver e não vive.

Eu não falo nuns quilos a mais. Há miúdos magricelas, há miúdos mais cheiinhos. Falo naqueles miúdos do programa, falo em mais de 100kgs, falo em miúdos infelizes pelo peso que têm, pela falta de mobilidade, pela depressão que podem desenvolver.

Onde estavam os pais? O que serviram aqueles pais para o almoço e o jantar? O que compraram aqueles pais no supermercado?
Não, mais uma vez, não acredito que lá cheguem com a má alimentação que fazem nas escolas ou nas festas ou nos jantares fora (que sempre dão azo a escolhas de fast food). Falo do dia-a-dia, da rotina familiar, dos milhares de almoços e jantares que já fizeram em casa, à mesa, com pais e irmãos.

Já fui mais rigorosa com a alimentação da minha filha. Com o crescimento deles ficamos mais despreocupados porque a própria idade vai permitindo um maior leque de opções, mesmo que algumas possam não ser as melhores. Mas não vamos cair em extremismos. Ela pode provar quase tudo (exclui-se picantes) e comer quase tudo. Mas há muita coisa que, apesar de já ter provado, não come. E não come porque não compramos, porque os avós e tios sabem que não lhe damos mesmo que comprem.
Estar em casa, afasta-a também dos sacos de gomas, das festas do colégio cheias de aperitivos e sumos. Estar em casa faz com que nunca tenha bebido um sumo sem ser natural (laranja espremida mesmo), nunca tenha comido gomas (provou num casamento. Oferta dos noivos às crianças), nunca tenha comido ovos kinder e afins (nunca ninguém ofereceu e nunca comprámos), nunca comeu aperitivos que não sejam amendoins, amêndoa torrada, nozes, e pistachios. Sabe o que são pastilhas mas nunca meteu uma na boca. Provou o primeiro chupa (deu duas lambidelas e pediu para guardar) num voo de avião, oferta da hospedeira este verão. Já come bolo em aniversários mas nunca provou nenhuma sobremesa de natas e leite condensado e afins porque nunca pediu e nós nunca oferecemos. Já provou chocolate e adora (diz ela). Lá, muito de vez em quando, quando, em alguma situação, aparece um, come um pedacinho.
Já comeu batata frita fora de casa. De vez em quando come coisas menos saudáveis que adora como croquetes, panadinhos ou folhados porque o fazemos. Mas não é rotina, não é regra. A regra é a sopa apesar de não colher palmas e salvas por ela.
Somos nós pais, os únicos responsáveis pela alimentação da nossa filha e filho (com ele ainda só sopas e fruta).

Agora que tem quase 4 anos, é difícil dizer que não, à sua frente, quando alguém lhe quer oferecer um doce ou guloseima. Às vezes é ela própria que responde: "Eu não posso comer. Só quando for mais crescida." como a coisa mais natural do mundo.
Para muitos, este nosso cuidado pode ser excessivo, para outros, até posso pecar por dar comida pré-cozinhada ou frita à minha filha de vez em quando. Cada família tem o seu peso e a sua medida. Cada família gere a alimentação consoante as suas crenças. Acho que tudo é aceitável. Já não pode ser aceitável quando chegamos a uma criança de 130 kgs ou quando uma pediatra diz que teve numa consulta uma bebé de 9 meses com 20 kg.
Para mim, só e apenas para mim, isso deveria ser considerado maus tratos. Para mim, só e apenas para mim, ter um bebé de 9 meses com 20kg diz-me que aqueles pais estão a maltratar o seu filho e a colocar em risco a sua vida.
Chegará uma altura em que eles podem fugir do nosso controlo. Mas, até lá, até saírem de casa, somos nós que enchemos a despensa e colocámos a comida na mesa. Nós, os pais!

Parte-me o coração ver esta menina de 16 anos.
Parte-me o coração... mesmo. E a outros do programa também.

9 comentários:

Anónimo disse...

Tb considero maus tratos expor as crianças na net , andar a ganhar dinheiro à custa da imagem e da intimidade dos filhos etc etc e como se percebe a maioria acha maravilhoso .
A obesidade na maioria dos casos é mesmo doença e mesmo quando os pais os maltratam a nivel alimentar é tb na maioria das vezes por ignorância, mas esta ignorância tb está presente nas crianças magras, só q essas têm sorte de n ser doentes...só isso..
vejo nos blogs de bebés e crianças pequenas , imagens e textos a descrever o quanto comem como animais esfomeados e toda a gente acha uma maravilha...mas se a criança for obesa lá está, o choque visual ajuda aos discursos infundados na maioria das vezes..
pq o que vi na diagonal do programa, a maioria desses adolescentes pareciam ter bons pais como todos os bloguers se gabam de o ser..

Alexandra disse...

Concordo inteiramente!

Os pais são os primeiros responsáveis. Muitas vezes não conseguem o ideal, como não fazer de forma constante as refeições mais saudáveis, mas isso não origina os 130 kilos. Acredito que, tal como referiu, e muito bem, os pais deviam ser responsabilizados e perceber que o facto de deixarem os filhos chegarem a este ponto pode fazer com que a vida deles se torne pior. Além da questão da saúde, prende-se com todo o preconceito (relações, desporto, trabalho). é triste mas é a sociedade que temos.

e, de facto os cuidados com a alimentação inicia-se quando se nasce.

Muitas vezes se fala das mães de terceiro mundo e dos cuidados "menos preocupados com as crianças" Mas será mesmo assim? Não serão as mães europeias que negligenciam os filhos quando não os amamentam, ou quando com poucos meses introduzem leite "artificial" porque a criança "precisa" . Precisa mesmo? E quando não havia leite artificial no tempos das nossas avós? fast-food a meu ver.Será que a palavra artificial não é clara. Ai começa-se o incentivo da obesidade. As mães dos paises pobres amamentam os filhos até tarde, infelizmente eles não as mesmas oportunidades nas "nossas" crianças.

CS disse...

Fala de outro assunto mas também muito pertinente... por aqui expoe-se parte da minha vida e da vida dos meus filhos mas este blog não tem fama suficiente para ganhar com isso. Percebo o que diz e concordo em alguns pontos. Quanto ao fato de falar na ignorância dos pais também acredito que seja de alguns. Nenhum pai quer o pior para os filhos. Se há casos de doença também acredito que haja mas há também muita negligência, muito deixa andar, muitos sins a tudo que os miúdos querem, muito pouco uso de sopa e comida de panela, como se diz. Disse que falava de cor e sem conhecimento. Falei daquilo que penso e como me parece ser a grande maioria dos casos. Obrigada pela partilha. É bom abrirmos os olhos para outras perspetivas.

CS disse...

Alexandra, fala de um tema que daria kms de discurso. Percebo o que diz mas não me parece que amamentar ou dar leite artificial defina a alimentação futura do bebé. Para mim os problemas começam com a introdução dos alimentos. Contudo lembro-me de um caso que foi a tribunal por maus tratos porque uma mãe dava leite de vaca à sua bebé de 4 meses. Aqui a questão é que os rins de um bebé não estão preparados para processar tanta proteína animal...
Obrigada pela partilha mas acho que o seu comentário causará mais polémica que o meu post ;)

Anónimo disse...

Questões culturais, financeiras... deu para perceber no primeiro episódio. Mas o sistema nacional de saúde também tem uma palavra a dizer- a obesidade tem que ser considerada doença, com comparticipação em tratatamentos, medicação, etc. O problema é mais grave do que culpar simplesmente os progenitores. Nao nascemos todos com as mesmas oportunidades. Este é o verdadeiro pais real, não é o mundo dos blogues.

Anónimo disse...

A aversão aos colégios continua... que má experiência teve em criança para falar sempre mal dos colégios? Chegou a ser esquecida lá pelos seus pais?

De certo que não terá nenhuma amiga que lecione num colégio.

Anónimo disse...

Não quis dizer q deu a sua opiniao sem fundamento..peço desculpa se passei essa ideia com o meu comentário..
o q considero realmente é q a ignorância ( os tais factores culturais e financeiros q foi referido num comentário e bem ) é a base de tudo neste problema q é a obesidade...e tb há quem seja saudável a comer só "erva" e engord.. é demasiado leviano reduzir uma doença tão grave q anda de mãos dadas com a depressão severa .. a maus tratos alimentares impostos pelos pais..
obviamente q estas pessoas desistem e encontram na comida algum conforto q mais nada lhes consegue dar e pai nenhum consegue controlar isso..
e tb acho q a maioria dos miudos obesos carregam uma carga genética..n conheço criança nenhuma obesa q n seja filha de obesos... e atenção q tenho uma amiga obesa q pesa 50 kg... e eu q peso 65...tenho um corpo q qq pessoa percebe q nunca fui obesa e as minhas filhas sao magrissimas ...
nisto eu acredito mesmo e posso estar completamente errada mas n me parece ;)
E amamentei as minhas filhas com exclusividade 6 meses e durante quase 2 anos, ambas, simplesmente por comodismo pq sinceramente nem acredito nos beneficios do leite materno a partir dos 6 meses ;) nem mto menos q controle obesidades..credo

CS disse...

Não precisa pedir desculpa. Realmente a minha opinião não tem fundamentos científicos é o que vou vendo, ouvindo e deduzindo. Contudo, há casos e casos. Mas que é um flagelo dos nossos dias é...

Cá de Casa disse...

Também fico chocada como é possível jovens chegarem a este ponto!
E sinceramente do pouco que tenho visto acredito que seja mais por negligência do que propriamente por doença...

Beijinhos,
Carolina