ALICE

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terça-feira, 23 de outubro de 2012

A roupa

Sou como a maioria das mulheres, adoro roupa. Uso-a não apenas para me proteger do frio ou do calor ou porque é proibido o atentado ao pudor. Uso-a como extensão de mim, da minha forma de estar no mundo. Uso-a como forma de comunicação não verbal.
Assim, quando era solteira, sem filhos e vivia em casa dos meus pais, comprava muita roupa. Adorava entrar em lojas, vestir e despir e sair de sacos na mão. Nunca fui uma compradora compulsiva, talvez porque o orçamento não o permitia. Nunca gastei fortunas em roupa, pela mesma razão que a anterior. Contudo, comprava, comprava bastante.
Quando fui viver com B., entrar nas despesas de uma vida conjugal fizeram-me (por imposição natural) mudar de atitude. Primeiro estavam as despesas às quais não podíamos fugir e só depois os luxos. Sim, comprar roupa tinha-se transformado num pequeno luxo.
Com a chegada da Alice o pequeno luxo transformou-se num luxo ainda maior. E se tenho a sorte de ter roupa dada e emprestada para Alice, termos herdado brinquedos e mais brinquedos dos meus sobrinhos, não herdámos fraldas nem consultas médicas. Tudo sai do mesmo orçamento familiar que tínhamos antes dela nascer.
Os salários não aumentam, bem pelo contrário, e apesar de estar relativamente segura com um lugar na função pública vejo o meu rendimento diminuir e ainda nem chegámos a 2013.
Perante este cenário, as aquisições vestuárias são cada vez mais escassas e por muito que seja apaixonada por moda não há grande volta a dar-lhe.
Tenho a sorte de manter praticamente o mesmo corpo de quando andava no liceu e universidade, mesmo após ter sido mãe. Uma ou outra peça já fica pelas costuras mas 90% está operacional. Além disso, gosto de peças antigas. Uso vestidos da minha mãe quando tinha a minha idade. Muitas vezes, uso um styling barricas da América que apenas quem é açoriano conhece (para os restantes, nos anos 70, 80 e 90 os emigrantes mandavam barricas cheias de roupa dos E.U.A e Canadá para os seus familiares que tinham ficado nos Açores, sem o acesso a tudo aquilo que eles agora tinham. Ainda hoje vou revisitar as barricas que os meus tios mandavam à minha mãe e encontro relíquias que adoro e uso).
Isto tudo para dizer que apesar de dar muita roupa todos os anos a pessoas que conheço e sei que irão usar, há caixas e caixas de roupa que ficam por tocar. Vou guardando ano após ano antes por achar que vou voltar a usar, agora porque penso que a Alice poderá ser como eu. Se assim for quero que ela possa usar roupa minha como eu uso a da minha mãe quando era nova. Não quero que ela me diga: "Oh, não guardaste nada de quando eras nova?" Ainda mais sendo a moda ciclíca.

E pronto, vou baloiçar neste dilema quando for reorganizar o meu closet: dou a quem dará melhor uso ou guardo para a princesa que sairá toda à sua mãe e será uma amante das peças de roupa com história?


3 comentários:

Ivânia Diamond by Ivânia Santos disse...

Existem "as" peças que devemos guardar sem dúvida!!! Mas se vires que é muita coisa em demasia faz uma seleção! :))

xoxo*
IV

M.M. disse...

Gosto da ideia de guardares roupa para a tua filha usar mais tarde :)

Mas talvez a melhor solução seja guardar as melhores, que aguentem tantos anos, aquelas que fazem a diferença e que adoras... as outras, mais normais, dá a quem precisa :)

CS disse...

Obrigada pelos conselhos. Realmente há tecidos que não aguentam tantos anos. Vou seleccionar as melhores e o resto vai andar...